Pond – Through The Heather

Quase dois anos após Stung!, um disco que colocou os Pond de novo voltados para ambientes sonoros que colocaram as cordas como sustento importante, mas num plano menor, nomeadamente ao nível dos arranjos e dos adornos, cabendo aos sintetizadores e aos teclados o papel principal no que concerne ao arquétipo das suas catorze composições, quer rítmico, quer melódico, a banda liderada por Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, está de regresso ao formato longa duração em dois mil e vinte e seis com Terrestrials, um disco que vai ver a luz do dia a dezanove de junho, com a chancela do consórcio Mangovision/Secretly Distribution.

Terrestrials irá versar, de acordo com os Pond, sobre a apetência da nossa espécie para a busca do caos e da destruição, mesmo sendo aquela que tem maior apetência para amar, de entre todas as que habitam o nosso planeta e o tema homónimo foi, em março, a primeira canção a ser retirada do seu alinhamento em formato single. Era sonoramente, como certamente se recordam, uma composição com um ritmo frenético, expansivo e robusto, começando com uma guitarra vibrante, que recebia depois diversos entalhes sintéticos com a habitual assinatura cósmica que define o adn Pond.

Já em abril tivemos para escuta o single Two Hands, uma composição inspirada, de acordo com o próprio Nick Allbrook, na explosão do desfiladeiro de Juukun, na cordilheira de Hammersley, na Austrália, causada pela mineradora Rio Tinto, um evento que destruiu abrigos rochosos sagrados de grande importância arqueológica, cultural e espiritual. Sonoramente, Two Hands era uma composição imponente e opulenta, com todos os ingredientes típicos daquele rock psicadélico robusto e expansivo, repleto de cascatas de distorções abrasivas e fulminantes, rematado por inebriantes detalhes sintéticos cheios de fuzz e de acidez.

Agora, cinco semanas depois, temos para escuta Throught The Heather, o terceiro single retirado do alinhamento de Terrestrials e também a terceira canção da sua ordem cronológica. Through The Heather tem a sua génese em algumas experimentações sonoras levadas a cabo pelo baterista da banda James Ireland e depois aperfeiçoadas por Jay Watson. O resultado final não defrauda o habitual adn dos Pond, já que o tema assenta numa vasta e robusta pafernália instrumental orgânica e sintética, rica em texturas e entalhes das mais diversas proveniências e, mesmo oferecendo ao ouvinte um ritmo frenético e dançante, contém uma indisfarçável áurea de melancolia e intimismo. Confere...

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