Beck – Ride Lonesome

Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas três décadas, ficou no centro de um furacão mediático no universo sonoro indie e alternativo, há cerca de três meses, quando divulgou, surpreendentemente, um alinhamento de canções intitulado Everybody’s Gotta Learn Sometime, oito temas que se dividiam entre algumas raridades que foram ficando na gaveta do artista e, essencialmente, covers de canções com que o autor se identifica particularmente.

Agora, quase no ocaso de abril de dois mil e vinte e seis, Beck volta a apanhar de surpresa tudo e todos com a partilha de um novo tema intitulado Ride Lonesome que, à semelhança do que sucedeu com Everybody’s Gotta Learn Sometime, ainda não traz atrelado consigo o anúncio de um novo registo de originais do artista californiano, que suceda ao álbum Hyperspace que Beck lançou no já longínquo ano de dois mil e dezanove. Seja como for, este tema Ride Lonesome criou legítimas expetativas no seio da nossa redação, em relação a essa possibilidade, reforçadas com o perfil sonoro da canção.

Como todos certamente se recordam, Beck lançou em dois mil e dois a sua obra prima Sea Change, o disco mais intimista da sua discografia, que já tinha tido uma espécie de prenúncio quatro anos antes com o fabuloso registo Mutations. Esse modus operandi eminentemente orgânico e acústico, teve sequência pouco mais de uma década depois com o álbum Morning Phase e a escuta de Ride Lonesome quase que nos leva a (querer) adivinhar que vem aí uma espécie de fecho de um ciclo, ou o completar de uma trilogia.

De facto, Ride Lonesome encaixaria na perfeição no alinhamento de qualquer um dos dois trabalhos anteriores. O tema oferece-nos um efervescente festim folk, uma espécie de balada country cósmica que sobressai pela luminosidade das cordas da viola, pelo insinuante slide uma guitarra e pelo exemplar registo vocal ecoante de Beck, ainda perfeitamente capaz de nos deixar num verdadeiro sobressalto. Confere...

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