Widowspeak - No Driver

Quase seis anos depois de Plum, um dos melhores discos de dois mil e vinte para a nossa redação e quatro de The Jacket, o registo sucessor, que tinha dez canções que nos contavam a odisseia fictícia de uma banda que queria sair da sua zona de conforto, que assentava em pequenos concertos baseados em covers, para passar a apostar na escrita e composição de originais, os Widowspeak estão de regresso aos lançamentos discográficos em dois mil e vinte e seis com Roses, um alinhamento também com dez temas, que vai ver a luz do dia a cinco de junho, com a chancela da insuspeita Captured Tracks.

Pic by Michael Stasiak

Este novo registo da dupla formada pela cantora e escritora Molly Hamilton e pelo guitarrista Robert Earl Thomas, dois músicos com raízes em Tacoma e Chicago, mas estabelecidos na cidade que nunca dorme há já algum tempo, foi gravado na ilha de Hydra e misturado nos Estados Unidos. Irá, de acordo com os próprios Widowspeak, manter-se fiel à habitual sonoridade do projeto, sempre mestre, disco após disco, na arte da personificação de um som inconfundível em que eletrónica, pop, folk e rock se confundem com um inebriante charme, muitas vezes até ostensivo, algo que If You Change, o single de apresentação de Roses, nos demonstrou e com particular minúcia e beleza estilística, há quase um mês. 

Entretanto, temos já para escuta No Driver, o segundo single divulgado do conteúdo de Roses. Trata-se de mais uma lindíssima canção, que versa sobre o modo como todos vivemos emocional e fisicamente exaustos, num verdadeiro estado de piloto automático, devido ao peso das rotinas e das obrigações e como um novo amor, ou a presença de alguém que se preocupe connosco, pode ser o amparo que precisamos para que o panorama melhore.

Sonoramente, No Driver é uma composição que começa por nos impressionar devido a uma guitarra com um timbre metálico estridente, que introduz uma melodia envolvente, conduzida por um piano vigoroso, que vai sendo encharcado em arranjos variados e de diferentes proveniências, num resultado final que encontra fortes reminiscências naquele indie rock contemplativo e de forte travo blues.

O resultado final é gracioso e, à semelhança do single anterior, coloca os Widowspeak e o seu disco Roses em declarado ponto de mira, como uma das obras sonoras de maior relevo de dois mil e vinte e seis. Confere...

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