Um dos grandes discos de dois mil e vinte e três tinha a assinatura de Kevin Morby e chamava-se This Is A Photograph. Quase um ano depois do lançamento de This Is A Photograph, Kevin Morby aprimorou o alinhamento desse álbum com More Photographs (A Continuum), um complemento àquele que foi, na altura, o sétimo disco da carreira do autor. Essa segunda parte da saga This Is A Photograph continha três versões de canções do disco e seis originais que ficaram de fora do alinhamento desse álbum e ela aconteceu porque Morby achava que não conseguia avançar artisticamente para um novo trabalho e, ao mesmo tempo, deixar para trás essas canções que, de acordo com o próprio, apenas caberiam naquela que foi a conceção filosófica de um disco de memórias e de exorcização, já que era bastante inspirado numa coleção de fotografias que estavam guardadas na casa onde Morby cresceu e que o artista começou a vasculhar na mesma noite em que o pai faleceu ao jantar.
pic by Chantal Anderson
Agora, cerca de três anos depois desse capítulo discográfico ímpar na carreira do artista, Kevin Morby está de regresso à ribalta com um novo disco intitulado Little Wide Open, um alinhamento de treze canções, que irá ver a luz do dia a quinze de maio com a chancela da Dead Oceans e que contará nos seus créditos com a participação especial de vários nomes de relevo, nomeadamente Justin Vernon, Aaron Dessner, Katie Gavin, Mat Davidson, Meg Duffy, Oliver Hill, Rachel Baiman, Stuart Bogie, Tim e Andrew Barr, Benjamin Lanz, Colin Croom, Tom Moth e Lucinda Williams.
Intensa e com uma amplitude melódica e rítmica muito vincada, Javelin, uma divertida canção cheia de luz, cor e otimismo e que celebrava a alegria, mesmo que se viva só em plena América profunda, foi o primeiro single retirado do alinhamento de Little Wide Open. Com cordas reluzentes, uma vasta pafernália de arranjos percussivos e num clima sempre crescente e efusivo, Javelin era uma verdadeira ode à vida e à existência plena, uma filosofia estilística que se manteve, diga-se, mas de modo mais contemplativo, em Die Young, o segundo single revelado de Little Wide Open.
Die Young continha, na sua essência, as traves mestras da melhor indie folk norte-americana contemporânea, com guitarras acústicas e elétricas dedilhadas em camadas e com astúcia e os violinos de Mat Davidson (Big Thief, Adrianne Lenker) a serem os grandes destaques de uma verdadeira carta de amor que Morby assinou, dedicada aos seus habituais companheiros de estrada e a Katie Crutchfield, a vocalista do projeto Waxahatchee e a sua atual companheira.
Agora chega a vez de escutarmos Badlands, o terceiro single retirado do alinhamento de Little Wide Open e que conta com a participação especial de Justin Vernon e Amelia Meath. Badlands reflete sobre o quotidiano da América profunda conservadora, o chamado midwest, procurando transmitir a visão do autor sobre a iconografia típica da mesma, que tem na expressão Badlands um dos seus expoentes. Sonoramente, o tema aposta num perfil um pouco mais reflexivo e íntimo do que as composições anteriores, com uma guitarra dedilhada com minúcia e alguns efeitos percussivos, a crescerem am arrojo e intensidade, comprovando, uma vez mais, que este artista estará na melhor fase da sua carreira, enquanto mistura com fino recorte folk, blues, rock e country, ou seja, aquilo que é, por definição, a força da música americana mais pura e genuína. Confere...

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