Quem acompanha este espaço de crítica e divulgação musical com alguma regularidade, certamente já terá reparado que o norte-americano Damien Jurado é um dos artistas mais citados neste blogue, algo que acontece com inteira justiça e que se justifica porque este artista natural de Seattle, nos arredores de Washington (não a Seattle, capital do estado da Georgia) é, claramente, um nome fundamental da melhor indie folk alternativa contemporânea.
Pic by Liam Kennedy
Procurando resumir um pouco a cronologia das suas passagens mais recentes pelo nosso radar, depois de na primavera de dois mil e vinte e um ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, Jurado regressou, no verão do ano seguinte, com um novo disco também monstruoso, intitulado Reggae Film Star e em dois mil e vinte e três lançou Sometimes You Hurt The Ones You Hate, o seu décimo nono registo de originais que, à semelhança dos anteriores, teve a chancela da Maraqopa Records, a sua própria etiqueta.
O ano passado Damien Jurado voltou ao formato longa duração, à boleia de Private Hospital, uma coleção de onze músicas produzidas pelo próprio e que, contando com as contribuições especiais de Lacey Brown, Aura Ruddell, Zach Alva e Stevan Alva, proporcionaram-nos, em pouco mais de trinta e dois minutos, um novo festim de indie pop rock luxuriante e vibrante, caraterísticas bem patentes logo em Celia Weston, o tema de abertura, um tratado de epicidade rugoso e simultaneamente luminoso, que dissertava, com sagaz ironia e requinte, sobre o inevitável fim da nossa passagem por esta vida terrena.
Simultaneamente, o músico norte-americano tem andado a remexer no seu baú, nomeadamente nas gravações que sobraram da criação do álbum Maraqopa, que Jurado lançou em dois mil e doze. Assim, depois de no início de outubro último termos tido a possibilidade de escutarmos o split 7'' We Will Provide The Lightning que, na verdade, se divide em dois temas, The Notes Of Seasons e We Are What We Dream, com o primeiro tema a oferecer-nos um registo interpretativo imponente e rugoso, apostando numa filosofia estilística que colocava na linha da frente uma indisfarçável toada sintética e com o segundo a apostar num registo mais minimal, já em novembro chegou a vez de, no mesmo formato, escutarmos os temas On The Land Blues (Acoustic 12 String Version) e The Moon / The Son que, juntos, deram origem ao split 7'' Gathered And Stolen By Storm.
A saga continuou poucas semanas depois, no início de dezembro, quando chegou à nossa redação mais um tema assinado por Damien Jurado, intitulado Wearing Your Violence e que fazia parte do alinhamento de I Must Be Out Of Your Mind, um compêndio de raridades e gravações avulsas e caseiras que o artista incubou entre dois mil e doze e dois mil e vinte e que viu a luz do dia o ano passado. Poucos dias depois aterrou nos nossos ouvidos uma extraordinária nova roupagem de Kola, um dos clássicos da discografia do músico, cujo original encerrava o alinhamento de dezassete canções do álbum Visions Of Us On The Land, que Jurado lançou na primavera de dois mil e dezasseis, à praticamente uma década. Na terceira semana desse mesmo mês Damien Jurado deu-nos para escuta Paper Canoe, mais um dos destaques de I Must Be Out Of Your Mind, o compêndio acima referido de raridades e gravações avulsas e caseiras que o artista incubou entre dois mil e doze e dois mil e vinte.
Já em janeiro deste ano, o cantautor norte-americano divulgou mais um split 7'' intitulado Easy Now, que se dividia nos originais Orphans In The Key Of E e Anchors e, cerca de um mês depois, proporcionou-nos a audição de A Place Reserved For Reverse, o tema que encerra o alinhamento de uma edição especial de luxo do disco Private Hospital, acima referido.
Prosseguindo, em meados de março, há cerca de um mês, tivemos para escuta um single intitulado Nature With All Her Force Will Have The Final Word, quase cinco minutos com um travo espiritual marcante, alicerçados num perfil percussivo jazzístico clássico e em diversos arranjos de sopros e entalhes sintéticos estrategicamente posicionados que, juntamente com um registo vocal ecoante, ofereceram-nos uma sensação mística intensa.
Agora, quase no ocaso de abril, Damien Jurado está de regresso ao formato split 7'' com I Was Always Leaving, registo que conta com os temas It Will Come Back e Leaving My Keys In Kenewick, com o primeiro a contar com a contribuição especial de Lilly Miller. Este lançamento foi gravado nos estúdios J&B Recording e são a primeira amostra de um disco colaborativo que os dois músicos se preparam para lançar a um de maio e que se intitula Did Something in me Break?.
It Will Come Back é um belíssimo tratado de indie folk clássica, intimista e genuína, com uma viola dedilhada com sapiência e diversos efeitos atmosféricos a acamarem, com astúcia, a voz robusta e, ao mesmo tempo, adocicada de Miller. Já Leaving My Keys In Kenewick aposta num perfil ainda mais minimalista e recolhido, com apenas uma viola, alguns efeitos percussivos e a voz tocante de Jurado a criarem um instante sonoro que merece ser contemplado com a maior devoção. Confere...

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