Depois de um hiato de década e meia, o norte-americano Eric Bachmann está de regresso com o seu projeto Crooked Fingers, à boleia de um novo disco intitulado Swet Deth, que sucede ao registo Breaks in The Armor, lançado no já longínquo ano de dois mil e onze. Trata-se de um alinhamento de dez canções, que têm a chancela da Merge Recordings e que estão recheadas de participações especiais, nomeadamente Sharon Van Etten, Mac Mccaughan, dos Superchunk, Liz Durett, Skylar Gudasz e Matt Berninger, entre outros.
Gravado com a ajuda de Jeremy Wheatley na bateria e John Rauhouse nas guitarras, Swet Deth demorou cinco anos a ser incubado, um longo processo que incluiu novas roupagens de temas que estavam na gaveta, mas também a criação de raiz de composições que têm no indie rock alternativo noventista, com um travo colegial e folk, a grande força motriz. Assim, o que podemos encontrar ao longo de pouco mais de trinta e cinco minutos, são guitarras acústicas e elétricas, dedilhadas com astúcia, um baixo sempre competente e um registo percussivo diversificado, num resultado final coeso e que seduz todos aqueles que apreciam o espetro sonoro em que o registo se insere.
Com o título do disco inspirado num desenho mórbido que o filho do músico natural de Denver, no Colorado, fez um dia na escola e que também está reproduzido na capa, Swet Deth é, na óptica do músico, mais do que um disco sobre a fatalidade da morte, uma tentativa de criar uma espécie de janela para um universo otimista e que possa ajudar a renascer todos aqueles que se sintam algo perdidos e precisam de um incentivo nas suas vidas.
As colaborações e participações especiais foram sempre uma imagem de marca dos registos dos Crooked Fingers. Swet Deth não foge à regra, com Cold Waves, uma magnífico tratado de indie rock alternativo, que se destaca pela exuberância das guitarras, a contar com a preciosa ajuda de Mac McCaughan, fundador dos Superchunk, nas vozes. Depois, Matt Berninger, vocalista dos The National, dá um toque de charme ao diálogo que mantém com Eric em From All Ways, uma das canções melodicamente mais sagazes do disco. São duas vozes que se complementam na perfeição e o solo de guitarra de Bachmann, no meio da canção, é outro dos seu atributos maiores.
Outra canção que merece particular destaque neste registo é Spray Train Speed Queen (In A German Car), tema que nos oferece todas as melhores caraterísticas daquele rock genuinamente americano, com um indisfarçável travo country. É uma das canções mais ricas e genuínas do registo, quer no que diz respeito ao registo vocal, exemplarmente replicado por Skylar Gudasz, mas também no que concerne às guitarras, cristalinas e opulentas, num perfil eminentemente clássico.
Até ao ocaso do álbum, merece particular destaque Insomnia, um tema inspirado num ataque cardíaco que Bachman sofreu em outubro último e que, de acordo com os médicos, se deveu ao crónico problema de insónias de que sofre o músico, assim como Haunted, tema que conta com a magnífica voz de Sharon Van Etten e que versa sobre o fim de uma relação e a dificuldade que muitos sentem em seguir em frente. A música é algo soturna e está encharcada em sintetizações intensas, que intensificam a sensação trágica do seu perfil temático. (I'm Your) Bodhisattva, uma cover de um original da neozelandesa Renee-Louise Carafice, é outro tema instrumentalmente competente e sonoramente belo de um disco que, oscilando entre o melancólico e o reflexivo e o festivo e o comovente, tem um efeito revigorante nos ouvidos de quem se predispuser a escutá-lo com particular devoção. Espero que aprecies a sugestão...

Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...