Há quase três anos, após mostrar a sua habilidade lírica e a sua capacidade de contar histórias em projetos anteriores, o artista multidisciplinar Pedro Vieira aventurou-se por um outro caminho intitulado Bela Noia, um projeto que o levou a refletir, procurando uma solução para uma realidade que o inquieta. Tentando reinventar-se neste novo grupo, Pedro acabou por tentar explorar nos Bela Noia uma nova linguagem, criando assim, em dois mil e vinte e três, uma série de canções que deram origem a um disco intitulado Os Miúdos Estão Bem, um registo de seis temas que tinha o propósito de amotinar os alicerces da música pop e inquietar quem as ouve, pelo constante salto ao rock e à folk, sem largar a mão do noise e do prog rock e que foi destaque na nossa redação.
No último outono, Pedro Vieira voltou à carga com este projeto Bela Noia, divulgando Não Quero Mais, o primeiro single de avanço do segundo disco do projeto, que chega aos escaparates já a vinte e sete de março, uma canção que, como certamente se recordam, andou em alta rotação neste blogue e na nossa versão radiofónica.
Agora, cerca de quatro meses depois, temos mais um single disponível para escuta deste novo disco de Bela Noia, um álbum que se vai chamar A Bela Paranoia e que foi misturado e masterizado por Nuxo Espinheira. De acordo com Pedro Vieira, A Bela Paranoia assume-se como um disco de rutura e reinvenção. Um álbum que se afasta do que veio antes para procurar uma nova linguagem: um rock mais ambicioso, mais denso e emocionalmente mais exposto, onde a fragilidade e a intensidade caminham lado a lado. Ao longo do disco, a banda aprofunda temas como a perda, a finitude, a memória e a tentativa, por vezes desesperada, de encontrar sentido quando tudo parece desmoronar. Essa procura traduz-se não só na escrita e na interpretação, mas também nas escolhas sonoras.
O novo single retirado do alinhamento de A Bela Paranoia chama-se Meu amor quando eu morrer e parte de um verso de Fausto Bordalo Dias para refletir sobre o amor, a despedida e o cuidado possível perante a dor. Longe do dramatismo fácil, a canção propõe-se como um gesto de reconforto, uma tentativa de dizer o indizível através da música. Sonoramente, Meu amor quando eu morrer assenta num rock vibrante e impetuoso, com guitarras agrestes, violinos ruidosos e uma bateria arritmada, a criarem uma catarse sonora intensa, visceral e enérgica.
Confere Meu amor quando eu morrer e o vídeo do tema que é também o mais recente capítulo de uma curta-metragem que está a ser construída a partir dos três primeiros singles do novo disco, realizada por Pedro Vieira e Leonardo Outeiro, filmada pela Toca do Lobo com a direção de fotografia a cargo de Tiago ”Ramon” Santos e que constrói uma narrativa que exagera a experiência da perda e da negação, criando uma metáfora extrema sobre amor, impotência e desespero.
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...