Bobby Cardos, Sean Kelly, Chris Sprindis e Joe McCarthy são os Doubting Thomas Cruise Control, um coletivo norte americano oirundo de Brooklyn, Nova Iorque e que orienta a sua sonoridade por um vasto espetro que vai do rock alternativo mais clássico até ao punk. Remember Me John Lydon Forever é o mais recente registo de originais da banda, um trabalho que viu a luz do dia a catorze de agosto através da Duckbill Records, a própria etiqueta da banda e a insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma editora essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.
Remember Me John Lydon Forever é um portento de autenticidade no modo como explora os fundamentos básicos do típico rock alternativo, que encontra a sua essência em distorções oferecidas por guitarras que buscam sempre um ponto de equilíbrio muitas vezes ténue entre o rugoso e o melódico e que, no caso destes Doubting Thomas Cruise Control, consegue ir num só tema, como é o caso de Nice Guy, do punk ao grunge, passando também por sonoridades mais progressivas. Depois, além das guitarras, o baixo e a bateria precisam igualmente de fazer notar a sua presença e neste trabalho são outros dois instrumentos essenciais na construção do edifício instrumental de grande parte das canções.
Este é um álbum em que, paralelamente a esta filosofia sonora, está presente um forte sabor a juventude e jovialidade, evidência que amplia claramente a excelente impressão que este compêndio de nove canções causa ao ouvinte e crítico experimentado, também, já agora, pelo modo impecável como o disco está produzido e pelos instantes mais melancólicos que contém, como Shed ou Lazlo's, 3A.M. e que nunca colocam em causa a crueza identitária dos seu conteúdo. O próprio tema Soft Focus, o último single divulgado de Remember Me John Lydon Forever, é um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, uma voz que ruge sem desafinar e exala esse espírito jovem e bastante beliçoso.
Num trabalho de elevado teor qualitativo e com uma matriz identitária vincada que evoca alguma da melhor herança que o grunge e o punk rock nos deixaram nos instantes finais do século passado, os Doubting Thomas Cruise Control não caem na tentação de complicar e não se deixam levar por experimentalismos e arranjos desnecessários, conseguindo partir em busca de alguns detalhes do rock sem descurar um salutar sentido mais brando ou melancólico e sempre com uma componente melódica particularmente assertiva. Espero que aprecies a sugestão...
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