The New Division – Gemini

Os The New Division são uma banda de Riverside, nos arredores Los Angeles, formada em 2005 por John Kunkel, ao qual se juntam, ao vivo, Brock Woolsey, Michael Janz,Mark Michalski e Alex Gonzales. Falei deles em finais de 2011 por causa de Shadows, o disco de estreia deste projeto que, como se percebe, é obra da mente criativa de Kunkel. Já o ano passado voltei a aflorar os The New Division devido a Together We Shine, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da etiqueta Division 87 na primavera desse ano e agora, catorze meses depois, Gemini é o novo compêndio sonoro do grupo, treze canções com alguma da melhor pop new wave que se pode escutar atualmente.



O revivalismo punk rock dos anos oitenta, combinado com a eletrónica mais influente dessa época, razão pela qual não será alheia a inserção das palavras New (Order) e (Joy) Division no nome, é a grande força motriz do processo de criação musical de Kunkel, um músico bastante interessando por esse período musical e que procura replicar com uma contemporaneidade que se saúda, plasmada, por exemplo, no inedetismo de alguns efeitos sintetizados, piscando o olho a uma sonoridade pop, luminosa e expansiva, certamente em busca de um elevado sucesso comercial e de ampliar a sua rede de ouvintes e seguidores, além do nicho de seguidores que têm acompanhado o percurso da banda com particular devoção.


Assim, Gemini impressiona, desde logo, pela qualidade da produção, da autoria do próprio Kunkel coadjuvado por F.J. DeSanto e pela aposta firme na criação de um som límpido e que entre o revivalismo e algumas intenções futuristas, agrada e seduz, até pelo forte apelo às pistas de dança. Estamos na presença de um álbum cuidadosamente trabalhado, onde as influências são bem claras e canções como a vigorosa Senseless, a pulsante Iris, a retro Introspective ou a sombria e mais orgânica Alive, foram certamente pensadas para o airplay, baseando-se numa pop épica e conduzida por teclados sintéticos que dão vida a refrões orelhudos e melodias que se colam ao ouvido com particular ênfase.


Apesar do dedilhar de cordas que abastece a melodia de Golden Winter Child e das distorções da épica Murder Shock, as guitarras dominam cada vez menos o processo de criação melódica dos The New Division e neste Gemini os sintetizadores e os efeitos da bateria eletrónica assumem os comandos, com temas como Copycat ou Eyes a olharem de frente para aquela pop nórdica fortemente sentimental que os A-Ha recriaram com mestria no tal período temporal que entusiasma Kunkel.


Não é novidade nenhuma dizer-se que a música enquanto forma de arte é um fenómeno onde quem inova sonoramente pode encontrar aí o caminho para o sucesso. No entanto, penso que esta manifestação artística também é um fenómeno cíclico e que as bandas e artistas que buscam elementos retro de outras décadas para recriar um estilo próprio também poderão encontrar a chave para o sucesso. Exemplos que procuram seguir esta doutrina são bem comuns nos dias de hoje são bem comuns e, ao terceiro disco, já não restam dúvidas que os The New Division escolheram a inesquecível década da ascensão da música eletrónica para sustentar a sua carreira discográfica. Espero que aprecies a sugestão...


The New Division - Gemini


01. ii.
02. Killer
03. Gemini
04. Senseless
05. Iris
06. Introspective
07. i.
08. Alive
09. Golden Winter Child
10. Copycat
11. Eyes
12. Murder Shock
13. Bloom


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