Oriundos de Glasgow, os escoceses Le Thug são Clio Alexandra MacLellan (voz), Danny McColgan (samplers, teclados) e Michael Raphael Gilfedder (guitarra), um trio que editou em 2013 um excelente EP chamado Ripping e que está de regresso com outro EP, editado no dia dezasseis de fevereiro, em formato digital e vinil, através da etiqueta Song By Toad, Records de Matthew Young.
Se tivesse de escolher uma só palavra para descrever os Le Thug, atmosféricos seria o vocábulo escolhido. Assim que ouvi os seis temas deste EP senti que tinha acabado de regressar de uma viagem rumo aquelas bandas sonoras feitas nos anos oitenta propositadamente para filmes mudos, algo que atinge o auge na sequência feito com o austero tema Pals e a longa Basketball Land. E essa época musical, com um certo travo noir, é exatamente uma das declaradas influências do grupo, já que Place Is contém melodicamente o que de melhor foi feito ultimamente na synth pop europeia, um género musical várias vezes citado em Man On The Moon.
Quem estiver atento ao fenómeno, certamente terá notado que ultimamente a nostagia desta década é uma forte aposta no cenário indie europeu, um revivalismo que, apesar de ser sustentado pelo caráter minimalista da instrumentação, procura dissecar, principalmente, um universo melódico climático predominantemente sombrio e obscuro e, por isso, também mais sedutor e hipnótico. Este fio condutor também se encontra no forte sentido emotivo da componente lírica que, estando nos Le Thug a cargo da voz celestial de Clio, pretende, neste caso, replicar um registo em falsete afundado num colchão de sons eletrónicos, criados, quase sempre, por um sintetizador cheio de samplers, loops e efeitos, que parecer também satirizar uma eletrónica retro, feita com VHS, mas cheia de charme e bom gosto.
Logo desde o início do EP os Le Thug vincam este estilo que se mantém ao longo do seu alinhamento; Se a já referida Pals destaca-se pela simplicidade da secção rítmica, são as guitarras quem conduzem Basketball Land e Losing Song, com a última a destacar-se pelos sons metálicos de um teclado em espiral, que já tinha feito furor em Paint, sempre com uma natureza contagiante, em canções que são verdadeiras obras primas que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, feitas por uma banda onde todos os elementos conjugam e recriam com distinção o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo e talvez nos sirvam também para mostrar o futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...
Outer Hebridean
Pals
Basketball Land
Paints
Losing Song
FC
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