Tennis System – Technicolour Blind

Liderados por Matt Taylor, os norte americanos Tennis System estrearam-se nos discos a vinte e um de outubro com Technicolour Blind, um disco que viu a luz do dia através da PaperCup Music e focado no amor e nas saudades de Matt pela namorada que deixou em Washington D.C., já que se mudou para Los Angeles, onde está agora a banda sedeada.



Um indie rock vibrante e acelerado é o sustento das dez canções deste trabalho, cheio de ambientes épicos e melodias cheias de luz e cor. Uma guitarra plena de fuzz e de distorções variadas, um baixo imponente, uma bateria que nunca descansa e sintetizadores carregados de efeitos fazem parte da receita sonora de um disco particularmente emotivo e que tem tudo para catapultar estes Tennis System para uma posição mais visível no universo alternativo, devido ao modo assertivo e até exuberante, como propôem um rock cheio de sintetizações, efeitos e ruídos e com uma toada muito rica e sedutora.


Estes três músicos deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com um interessante cariz épico que não é mais do que um assomo de elegância incontida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.


A escrita do disco carrega uma sobriedade sentimental que se percebe devido à matriz temática que rodeia Technicolour Blind e, naturalmente, é possível apreciar aqui belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com as diversas camadas de instrumentos já descritas. Com vários momentos altos, destaco a introdução de My Life In, instante de uma simplicidade verdadeiramente desarmante e capaz de deixar em sobressalto os espíritos mais incautos, até uma guitarra planante tomar conta da canção e levá-la, durante pouco mais de um minuto, para um nível superior de elegância e arrojo, que se estende nas teclas de Try To Hide e, mais uma vez, numa distorção imponente e inigualável. Depois, canções como Call It Home ou o tema homónimo do trabalho, fazem-nos não duvidar mais da excelência de um álbum que impressiona pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras, numa toada que tem tanto de shoegaze como de progressivo e que até em Such A Drag busca pontos de interseção com a pop mais experimental e algumas paisagens e sensibilidades que no single Dead Honey piscam o olho à mais pura psicadelia.


Escutar Technicolour Blind é uma experiência diferente e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espirituale que materializam um feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando as regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o rock alternativo com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com elevada dose de ruído e distorção. Espero que aprecies a sugestão...


Tennis System - Technicolour Blind


01. Suicide
02. Call It Home
03. Ungrown
04. Memories And Broken Dreams
05. Technicolour Blind
06. Such A Drag
07. My Life In
08. Try tT Hide
09. Hara Kiri
10. Dead Honey



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