Lançado por intermédio da Slumberland Records e produzido por Monte Vallier, Jinx é o novo registo de originais dos norte americanos Weekend, uma banda de São Francisco, liderada por Shaun Durkan, que se estreou em 2010 com o aclamado Sports e que entretanto passou de trio a quarteto, com a entrada do baixista Nick Ray.
O post punk é o traço identitário mais vincado da sonoridade dos Weekend e Sports foi decisivo, logo na estreia do grupo, para marcar uma forte posição deste coletivo num espaço de relevo do universo sonoro em que se insere. Os holofotes direcionaram-se todos para Sports e o sucessor era aguardado com alguma expetativa, entretanto um pouco emancipada com a divulgação de Red, um EP de cinco canções que antecipou Jinx.
Neste sempre difícil segundo álbum, os Weekend continuam a pintar telas sonoras usando o preto e o cinza como cores predominantes, o que faz com que mantenham a tal essência musical que apresentaram na estreia. No entanto, nota-se alguma evolução no aspeto instrumental, ao qual não será alheia a presença do novo baixista e um mais cuidado trabalho de produção.
Neste amadurecimento bem sucedido os Weekend combinam algum do melhor post punk atual com o shoegaze, numa fórmula já pessoal onde o ruído não funciona com um entrave à expansão das canções, servindo antes para lhes dar um relevo muito próprio que sem esse ruído elas certamente não teriam. Fazer barulho também é uma arte que nem todas as bandas dominam, mas os Weekend sabem como harmonizar o ruído e torná-lo agradável aso nossos ouvidos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo.
Não há aqui a tentativa de passar uma mensagem de revolta, mas sim algo mais etéreo e até melancólico, também percetível na apreciável quantidade de passagens instrumentais com elevada duração e que nos guiam propositadamente para um mundo criado específicamente pelo grupo, onde reina uma certa megalomania e monstruosidade agressiva aliada a um curioso sentido de estética, com particular evidência no tema Just Drive. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Weekend produzem é feita com justificado propósito usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse de vários conflitos emocionais e conotações filosóficas, as grandes temáticas das dez letras de Jinx.
Esta acaba por ser a fórmula que faz deste álbum um conjunto coeso de dez canções com uma estrutura muito bem construída, que não vão dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico como, ao mesmo tempo, encontra raízes numa espécie de hardcore luminoso, a grande nuance que distingue Jinx do clima arrastado e sombrio de Sports. Espero que aprecies a sugestão...
01. Mirror
02. July
03. Oubliette
04. Celebration, FL
05. Sirens
06. Adelaide
07. It’s Alright
08. Rosaries
09. Scream Queen
10. Just Drive
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