Os The Map Room são Brendon Morrow e Simon Gooding uma dupla de amigos que se conheceu e tornaram-se colegas de quarto enquanto estudantes de engenharia de som na Austrália e que, depois de voltarem a Auckland, a sua terra natal, na Nova Zelândia, resolveram começar a fazer música juntos. O primeiro passo, fundalmental para a carreira dos The Map Room, foi uma viagem que ambos fizeram à América do Sul; Da Colômbia à Argentina, ambos viajaram durante catorze meses por aquele continente, com um par de guitarras e um gravador, a dar pequenos espetáculos e a compôr música, tendo sido Paracas, uma pequena localidade na costa do Perú e Buenos Aires, na Argentina, os locais de eleição para a criação de alguns dos fragmentos sonoros que sustentaram vários temas de The Map Room, o disco homónimo de estreia do projeto, lançado no passado dia vinte e oito de junho.
The Map Room é uma coleção de dez belíssimas canções que assentam numa indie pop muito simples e eminentemente acústica, com um forte pendor espacial e atmosférico. O dedilhar da guitarra acústica (extraordinário, por exemplo, em City) guia as canções e variadíssimas vezes é tocada por ambos, em simultâneo, numa demonstração de forte dinamismo e excelente interação entre os dois amigos. A esse instrumento juntam-se, com enorme bom gosto, o piano, o sintetizador e uma percurssão suave, mas bem vincada, bem audível em All You'll Ever Find, sem dúvida, para mim, o grande destaque deste álbum. A voz é também um importante veículo no transporte de emoções e de uma melancolia muito própria; Também há uma forte interação entre ambos no ato de cantar e Pilot é aquele tema que exemplifica novamente a forte amizade que une Brendon e Simon. Nesta canção há uma exemplar simbiose entre os dois e a simples audição da mesma é suficiente para percebermos que há um sentimento muito forte de cumplicidade no seio dos The Map Room. Já agora, nos recentes espetáculos de promoção do álbum, os The Map Room têm contado com as colaborações de Andy Keegan na bateria e Jared Kahi no baixo e vozes. Este último foi também responsável pelo artwork do disco.
A viagem referida terá certamente marcado decisivamente a escrita dos poemas que alimentam os temas, já que falam imenso de movimento, da quebra das habituais rotinas do dia-a-dia, de estranhos encontros e de uma natureza muitas vezes algo transcendental para quem se habituou, desde sempre, ao conforto de um estilo de vida mais urbano.
De Grizzly Bear, a Spoon, The National e Phoenix, passando pela produção límpida e algo minimalista de uns Metronomy, os The Map Room transportam-nos até uma vasta e notável cartilha de influências que terão tido uma importância elevada no processo de criação melódico de The Map Room. Na audição deste disco fica-se algumas vezes com a fantástica sensação que os dois músicos que nos oferecem estes temas estão a pairar algures sobre nós enquanto os interpretam, tal é o ambiente de candura e a enorme beleza que conseguem criar e replicar com a sua música. Espero que aprecies a sugestão...
01. All You’ll Ever Find
02. Pilot
03. There’s A Fire
04. Stick Around
05. City
06. Lay Down Here
07. Memory
08. Elastic Tongue
09. List Of Things
10. Visitors
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