Editado pela Thrill Jockey no passado dia vinte e três de julho, Glynnaestra é o novo trabalho dos Grumbling Fur, o projeto da dupla formada por Daniel O'Sullivan e Alexander Tucker, dois velhos amigos e já veteranos do cenário indie e experimental britânico. Glynnaestra sucede a Alice (2012) e Furrier (2011), o restante cardápio musical deste projeto.
Em Glynnaestra os Grumbling Fur aprofundaram o seu já altíssimo pedigree em termos experimentações sonoras no campo do rock, audível, por exemplo, nas cordas do tema homónimo ou na percurssão única de Alapana Blaze. E fizeram-no desta vez sobretudo através do uso de uma variada instrumentação que se socorre, sem especial predominância, quer de elementos acústicos, quer de sons eletrificados. Estes criam batidas e sons que mais parecem pulsares de algo animado, o que faz com que as canções desta dupla pareçam ter, muitas vezes, uma vida própria e única. Esta mistura não é algo inédito, nem uma caraterística apenas dos Grumbling Fur; No entanto, é inconfundível a forma como este grupo britânico coloca no mesmo caldeirão sonoro muitos dos detalhes fundamentais da synth pop dos anos oitenta e cria paisagens sonoras que facilmente invocam gretas fundas de lugares que nos engolem, nos sacodem, nos ferem e nos libertam novamente sobre uma qualquer nudez de imensa claustrofobia.
Glynnaestra é, indubitavelmente, um compêndio avant pop sofisticado, eclético e cheio de charme, onde o glamour e a harmonia se fundem e criam objetos sonoros que nos encantam de forma enigmática e poderosa. Experimentamos, por exemplo, a audição de Protogenesis e comprovamos claramente como é a vida dentro de Glynnaestra e como há aqui temas que depois de se entranharem, transformam-se em verdadeiras e amplas catedrais sonoras no nosso cérebro que nos obrigam a uma total abstração relativamente a tudo aquilo que nos rodeia.
Mesmo nas canções com um cariz mais pop e acessível, há detalhes que nos fazem suspeitar constantemente que há algo de superior e etéreo por trás de cada uma das canções e da consciência mais terrena de quem as criou. Por isso, assim como a capa do disco que mostra representações de planetas a flutuarem numa qualquer rua dos subúrbios de uma moderna cidade, a experiência de audição de Glynnaestra leva-nos numa viagem de descoberta entre o mágico e o mundano, uma experiência psicadélica que faz deste álbum um exemplo perfeito de como a música é capaz de nos transportar para universos paralelos únicos e inimitáveis por qualquer outra forma de arte ou de expressão humana. Espero que aprecies a sugestão...
01. Ascatudaea
02. Protogenesis
03. Eyoreseye
05. Alapana Blaze
06. Cream Pool
07. Galacticon
08. Glynnaestra
09. Dancing Light
10. Clear Path
11. The Hound
12. Harpies
13. His Moody Face
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