Os Surfer Blood são uma banda de surf rock natural de West Palm Beach, na Flórida, formada por John Paul Pitts (guitarra e voz), Tyler Schwarz (bateria), Thomas Fekete (guitarra), Brian Black (baixo) e Marcos Marchesani (percussão). Um ano após o lançamento do álbum de estreia, Astro Coast, lançaram a vinte e cinco de outubro de 2011 o EP Tarot Classics, através da Kanine Records, e agora chegou finalmente Pythons o tão aguardado segundo longa duração do grupo.
Em 2010, com Astro Coast, os Surfer Blood procuraram passar a mensagem que as gravações caseiras e as guitarras dominadas pelo ruído lo-fi, seriam o fio condutor do percurso musical da banda. No entanto, o EP que se seguiu começou a contrariar esta tese e demonstrou que na estreia o apelo a práticas mais artesanais e caseiras de gavação, deveu-se a razões meramente económicas, até porque esse disco teve de ser custeado pelos próprios integrantes e foi captado em grande parte no interior de estúdios improvisados. todas estas contingências fizeram com que Astro Coast parecesse mais um rascunho do que propriamente aquele conceito de álbum a que estamos um pouco (mal) habituados.
Pythons, lançado já na multinacional Warner Brothers, parece reviver as mesmas experiências instrumentais e líricas de há três anos, mas agora o som é mais límpido e cuidado e assente numa menor dose de crueza e distorção. Produzido pelo experiente Gil Norton, um produtor que já trabalhou com os Pixies e os Foo Fighters, entre outras bandas, Pythons é, portanto, uma espécie de uma extensão do primeiro disco, como se todas as composições entregues há três anos fossem representadas agora sem a mesma capa de ruídos exposta na estreia.
Da surf music ao rock alternativo dos anos noventa, Pythons é um disco com uma particular relevância do ponto de vista comercial e por isso vai certamente aproximar os Surfer Blood de um maior número de ouvintes. A voz é também um importante factor para essa aproximação já que, melodicamente, decide a maioria dos rumos sonoros que as diferentes cançãos têm, em deterimento das várias camadas de distorção que alicerçavam Astro Coast. Assim, da explosão inicial escutada em Demon Dance ao toque melancólico de Prom Song, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários.
Pythons faz os Surfer Blood crescer, já que enquanto músicas como Gravity exploram o lado mais ensolarado do grupo, sem renegarem o ADN que a banda produziu na estreia, outras como Weird Shapes, assumem o novo rumo que a presença de Gil Norton exige. Esta canção, algo pop punk, é aquela que talvez nos leva com maior facilidade para os anos noventa, mas sem uma exagerada componente nostálgica, o que permite que os Surfer Blood nos consigam levar um pouco até ao passado, mas sem passaram uma imagem distorcida dos fundamentos que sustentam o seu cardápio sonoro.
Como seria de esperar e apesar da tal importância da voz, as guitarras são um dos principais atributos de Pythons e do seu dinamismo. Tocadas por Thomas Fekete e pelo também vocalista John Paul Pitts, são extremamente criativas e dão-nos melodias únicas, com destaque para Squeezing Blood e Needles And Pins. A primeira dissolve-se uniformemente em acordes muito precisos e a segunda cresce num solo que nos leva, ainda que levemente, até à psicadelia. Surgem ainda instantes de plena aceleração (Weird Shapes), canções pontuadas pelo detalhe das cordas (I Was Wrong) e blocos de alguma distorção que de algum modo se aproximam da essência do primeiro disco (Slow Six).
Se por um lado a limpidez sonora de Pythons impulsiona os Surfer Blood para um novo domínio, também é verdade que contraria um pouco aquele efeito surpresa que Astro Coast continha. Mas, quanto a mim, este grupo norte americano passa com distinção a sempre difícil prova do segundo disco e prova que poderão ser capazes de manter a capacidade criativa que sempre demonstraram. Espero que aprecies a sugestão...
01. Demon Dance
02. Gravity
03. Weird Shapes
04. I Was Wrong
05. Squeezing Blood
06. Say Yes To Me
07. Blair Witch
08. Needles And Pins
09. Slow Six
10. Prom Song
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...