Após oito anos de silêncio, o projeto a solo do guitarrista dos Desaparecidos e natural de Denver, no Nebraska, Denver Dalley, está de regresso com Peninsula, disco editado no passado dia vinte e cinco de junho por intermédio da Afternoon Records e que sucede a Often Lie, álbum que viu a luz do dia em 2005. De acordo com o press release do disco, Dalley já trabalhava em Peninsula há cinco anos, um trabalho que inclui uma cover de Pictures of Success, um original de Rilo Kiley e Take the Lead, tema que conta com a participação especial dos Har Mar Superstar. O single Nineteen Ninety Nine está disponível para download gratuito no sitio da editora.
Peninsula tem duas remisturas no final e, no seu núcleo duro, onze canções originais impregnadas com uma mistura de rock com eletrónica, mas sempre com as guitarras no comando do processo de composição, servindo os sintetizadores e as teclas essencialmente como conetores na condução melódica, além de serem, quando ganham maior destaque, várias vezes responsáveis pelo cariz mais etéreo e épico de algumas canções.
Dalley começou a sua carreria musical muito novo e no punk rock, um tipo de sonoridade que não influenciou Peninsula e que Dalley apenas explora nos Desaparecidos. No projeto Statistics Dalley aproveita para explorar novos sons com a sua guitarra, elétricos e acústicos e alguns elementos da eletrónica que fazem parte do seu gosto pessoal mas, como já referi, as cordas são o elemento base primordial.
Um aspecto importante em Peninsula é a evidente heterogeneidade entre as canções. Logo na metade inicial, se o single Nineteen Ninety Nine e Take The Lead são duas canções cheias de ritmo e luz, essa toada mais rápida é logo quebrada por Lock Me Down, um tema conduzido pelas teclas de um piano e um momento intimista e com um forte cariz nostálgico e por Menu Screen, talvez a canção onde o sintetizador se sobrepõe e ganha maior destaque, mas que é logo quebrado, sem dó nem piedade, pela robustez das cordas e pela intensa percussão de Fever Sleep. Waiting é outra canção com um elevado pendor eletrónico e talvez aquela onde é criado o ambiente com cariz mais nostálgico, já que nos transporta imedidatamente para a pop eletrónica dos anos oitenta. Essa nostalgia, se bem que com uma vertente mais acústica, encerra brilhantemente Peninsula com um belíssimo instrumental sem título.
Apesar de já terem passado oito anos desde que foi lançado o antecessor e de Peninsula estar a ser idealizado e trabalhado desde 2008, isso não significa que as canções denotem algum desgaste ou indefinição que não lhes permita terem resistido à erosão do tempo. O trabalho de produção é impecável e realça a capacidade musical eclética de Dalley assim como as suas excelentes capacidades vocais. Oxalá não seja preciso esperar mais oito anos para termos um sucessor para Peninsula, um disco contemporâneo e que se escuta com indisfarçável prazer e satisfação. Espero que aprecies a sugestão...
Rewind
Nineteen Ninety Nine
Take the Lead (feat. Har Mar Superstar)
Lock Me Down
Menu Screen
Fever Sleep
Waiting
Look Alive
Pictures of Success
Sendoff
11. -
Nineteen Ninety Nine (Ghosthouse Remix)
Waiting (Intramural Remix)
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