Dog Bite é um projeto musical que nasceu na mente de Phil Jones, um músico norte americano com raízes em Atlanta, que depois de andar em digressão com os Washed Out, ao comando das teclas, resolveu convidar membros dos Mood Rings e dos Red Sea, assim como Cameron Gradner, baterista que também andou em digressão com os Washed Out, para formar uma banda. Velvet Changes é o disco de estreia dos Dog Bite e foi editado no passado dia cinco de fevereiro pela Carpark Records, uma editora de Washington, casa de Toro Y Moy e dos Cloud Nothing, dois projetos cuja simbiose das duas sonoridades, a chillwave do primeiro e o rock experimental do segundo, descrevem com alguma precisão o conteúdo de Velvet Changes.
Fortemente influenciado por nomes como J Dilla, Portishead, Caribou e os The Roots, para estes Dog Bite e o álbum Velvet Changes, Jones também se deixou levar pelo artista neozelandês Connan Mockasin e um filme de 1975 chamado Picnic at Hanging Rock. Jones usa a primeira metade desse filme como ponto de partida para a conceção do álbum e utiliza na escrita das canções as suas próprias narrativas para explicar o grande dilema do argumento dessa película que se baseava num piquenique organizado por um grupo de alunas e um professor e uma parte do grupo que desaparece sem motivo concreto. Neste aparente pesadelo psicadélico, Velvet Changes pode não chegar a nenhuma conclusão sobre o que terá sucedido, mas asseguro-vos que as letras deixam pistas curiosas acerca dos motivos para tão inusitado e misterioso evento. Um bom exemplo disso é este excerto de Supersoaker, Hot dream, warm touch, cool bed, you’re tough.
Do surf rock de Forever Until à nostalgia da musa My Mary, a sonoridade das canções assenta na típica dream pop lo fi com origem há umas duas décadas, onde o sintetizador e as guitarras melódicas assumem a primazia na condução sonora. Mesmo no meu tema preferido do álbum, You're Not That Great, cujo início é feito por uma linha de baixo que segue até ao fim, rapidamente a guitarra se sobrepõe e indica o rumo futuro da canção. O mesmo acontece em Native America, com a bateria inicial a ser rapidamente domada e dominada pelas cordas distorcidas e cheias de efeito.
Parece um cliché esta descrição para quem acompanha com regularidade as publicações deste blogue, mas a verdade é que desde que nomes como os Best Coast, The Walkmen ou Wavves, entre tantos e tantos outros, começaram a replicar com sucesso este subgénero da pop, muitos outros se seguiram com apreciável sucesso. Os Dog Bite acompanham a tendência, ainda por cima com a particularidade de adicionarem em maior quantidade ao sintetizador detalhes da chillwave e da eletrónica e assim criarem este caldeirão sonoro algo retro.
Para promover Velvet Changes, os Dog Bite preparam-se para andar em digressão com Toro Y Moi, que também anda a divulgar o extraordinário Anything in Return. Espero que aprecies a sugestão...
01. Forever, Until
02. Supersoaker
03. No Sharing
04. Prettiest Pills
05. You’re Not That Great
06. Holiday Man
07. Native America
08. Paper Lungs
09. Stay Sedated
10. The Woods And The Fire
11. My Mary
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