Os The Luyas são uma banda canadiana de Montreal liderada por Jessie Stein. Estrearam-se nos discos em 2007 com Faker Death, três anos depois lançaram Too Beautiful To Work e agora, em 2012, voltaram com Animator, disco lançado no passado dia dezasseis de outubro pela Dead Oceans. Animator foi gravado e produzido ns estúdios Treatment Room por Pietro Amato, um dos elementos da banda e misturado por Jace Lasek, dos Besnard Lakes, nos seus Breakglass Studios, em Montreal.
Animator é uma catarse sofisticada, uma coleção de canções melodicamente competentes, artisticamente ricas e cheias de texturas, um disco intuitivo e sedutor. As canções captam facilmente a nossa atenção e existe um efeito quase hipnótico nessa adição do ouvinte ao conteúdo, algo que também acontece com a belíssima imagem de Loïe Fuller, que ilustra a capa do álbum.
A combinação entre os arranjos de cordas e alguns instrumentos de sopro fazem com que os temas flutuem de forma frágil e fugaz, com uma subtileza de difícil descrição. Há fluídos sonoros estranhos a pontuar o horizonte enquanto o nosso olhar se deixa perder, enfeitiçado pela sonoridade do disco que nos deixa quase em transe.
Uma das maiores curiosidades que descobri relativamente a Animator e que dá imensas pistas sobre uma certa ideia de conceito por detrás da sonoridade do disco prende-se com a base instrumental de Crime Machine; De acordo com os créditos, a melodia foi criada por um fantasma (The ghost wrote this one) e tal apropriação poderia estender-se ao resto do álbum, até porque parece que a morte de um amigo da banda serviu de inspiração para a composição de Animator. O álbum é, no bom sentido, difuso, profundo, sinuoso e repleto de dor e assombrações e engloba uma espécie de tensão sombria que está sempre latente e que nos permite o tal flutuar enigmático e involuntário.
Animator é um tratado espiritual que nos fala da natureza efémera da vida e da crueldade da morte, mas também transporta uma ideia de epifania, que se obtém na imaterialidade das melodias e nos prazeres transitórios que elas nos provocam. Espero que aprecies a sugestão...
01. Montuno
02. Fifty/Fifty
03. The Quiet Way
04. Face
05. Your Name’s Mostly Water
06. Earth Turner
07. Talking Mountains
08. Traces
09. Crime Machine
10. Channeling
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...