Quem acompanha o trabalho de bandas que brincam com o experimental como os Radiohead, os Deerhunter ou os The Flaming Lips compreende a necessidade que elas sentem de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam a antecessor, o novo tenha que transpôr barreiras, um problema com o qual o quarteto nova-iorquino Animal Collective, formado por David Portner (Avey Tare), Noah Lennox (Panda Bear), Brian Weitz (Geologist) e Josh Dibb (Deakin), tentou lidar em Centipede Hz, o disco mais recente, editado pela Domino Records e que revelei em Curtas... XXXV. Quais são os limites depois do lançamento de um disco tão grandioso e único quanto foi Merriweather Post Pavilion, editado em 2009?

Quando analisamos a já extensa e complexa discografia da banda, iniciada em agosto de 2000 com o disco Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished, é como se tudo que fora construído se encaminhasse de alguma forma para o que eles finalizaram em 2009. O que em outras épocas fora acústico, transformou-se em eletrónico, o ruidoso virou melodia e o que antes era experimental estranhamente aproximou-se da pop. E que de outra forma definirias músicas como My Girls e Summertime Clothes, dois dos destaques de Merriweather Post Pavilion?
Contudo, quem há tempos acompanha o trabalho dos Animal Collective sabe que a necessidade de superar, ou melhor, evoluir a cada disco é constante. Por isso, nos mais de cinquenta minutos do novo álbum o que encontramos é uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações. Se Moonjock prepara o terreno, Today’s Supernatural expande o que será finalizado no toque de psicadelia que define Amanita. E pelo meio há os habituais registos mais comerciais, que vão da épica e pop Monkey Riches, ao romantismo de Rosie Oh e as experimentações, ao nível da percurssão, de Wide Eyed.
Das vozes que passeiam por campos distintos, à instrumentação que valoriza o uso da percurssão, durante Centipede HZ a banda aproxima-se do que já fez antes e de algumas novas tendências. Seja pelo ritmo crescente que estabelece as principais marcas de Today’s Supernatural ou a psicadelia dançante e tribal que se firma no decorrer de Applesauce, cada instante dentro do álbum torna claro que aqui os rumos são outros, com a banda em busca de algo firme, cativante e até comercial.
A parceria com o produtor Ben H. Allen revelou-se uma decisão acertada; É ele quem impôe limites às experimentações da banda e torna o nível de desordem sonora acessível aos ouvintes, além de ajudar a que Centipede Hz flua dentro de limites bem definidos e com canções articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma das músicas, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo.
Em suma, em Centipede Hz as referências do passado surgem tingidas com novidade, o que confere a este disco um resultado ao mesmo tempo nostálgico e inovador. Assim como o caminho incerto da centopeia que caminha pelo título do álbum, instável é o rumo que os Animal Collective ainda deverão percorrer. Espero que aprecies a sugestão...
01. Moonjock
02. Today’s Supernatural
03. Rosie Oh
04. Applesauce
05. Wide Eyed
06. Father Time
07. New Town Burnout
08. Monkey Riches
09. Mercury Man
10. Pulleys
11. Amanita
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