Cat Power – Sun

Lançado através da Matador Records, Sun é o apelativo nome da nova rodela de Chan Marshall, conhecida no universo musical como Cat Power, uma artista norte americana com quase vinte anos de carreira e que já abordou inúmeras facetas líricas e instrumentais durante este período.



Este nono disco é o primeiro em seis anos e serviu para esta cantora natural de Atlanta, na Geórgia, em onze canções deixar de lado a personagem que sempre projetou, assente numa vertente mais acústica e que destilava setimentos amargurados e soturnos, para conceber agora algo mais ousado, com a ajuda de sintetizadores e um arsenal de novas referências eletrónicas. O fim da relação de longa data com o ator Giovanni Ribisi poderá ter algo a ver com esta mudança; A própria Chan mudou de visual e agora surge com um aspeto mais radioso, de cabelo curto, a substituir as cordas da guitarra por batidas e o sofrimento pelo humor e pela ironia.


Sun abandona então a amargura hermética que definiu obras como You Are Free (2003), The Greatest (2006) e Moon Pix (1998) para se envolver  em algo mais abrangente e experimental, desconcertante e luminoso, como o título do disco exige; Um álbum que brilha e parece inteiramente aquecido pelo Sol.


Sun é um tratado de visíveis contrastes. Enquanto as letras de Real Life, Ruin e Human Being reforçam toda a melancolia alguma dose de rancor, algo que poderá ter a ver com os recentes problemas que circundaram a vida pessoal da cantora, a voz e a sonoridade que percorre essas canções e todo o disco levam Cat Power para outra direção. Assim, em alguns momentos, Sun parece confuso para quem conhece a discografia anterior da banda, mas também não demora muito tempo a prender o ouvinte.


Mesmo que esta inflexão sonora dã cantora pareça fascinante e inusitada, não há como negar que esta aventura pelo campo da música mais eletrónica e experimental, deixa sempre algmu desconforto, mesmo que se reconheça mérito e qualidade no que se escuta. Como a própria Cat optou por ser ela própria a comandar as máquinas e produzir os sons que utilizou, alguns são um pouco arcaicos e causam uma reacção um pouco adversa em certos momentos. E essa execução básica de algumas composições faz com que Sun acabe por não atingir um nível elevado de excelência. Mas, não há como negar a mestria de  Real Life, 3,6,9 e da extensa Nothin But Time, canções que carimbam e atestam a qualidade de topo desta compositora de eleição.


Sun é um trabalho que exige tempo. Quanto mais nos aventuramos no disco, melhor percebemos o quanto Cat Power evoluiu como cantora, compositora e até como produtora. Por mais que demore a entrar, quando desvendado Sun tece no ouvinte uma teia sonora e poética que toca e emociona, mesmo que algumas nuvens tentem bloquear essa sensação. Espero que aprecies a sugestão...



01. Cherokee
02. Sun
03. Ruin
04. 3,6,9
05. Always On My Own
06. Real Life
07. Human Being
08. Manhattan
09. Silent Machine
10. Nothin But Time
11. Peace And Love


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