Depois de no passado dia seis de dezembro ter referido aqui que Jónsi estava ocupado a trabalhar na banda sonora de We Bought A Zoo, o próximo filme de Cameron Crowe e protagonizado por Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Church, Patrick Fugit e Elle Fannin, entre outros, a mesma já foi editada no dia doze de dezembro de 2011, através da Columbia Records e eu já a ouvi. As gravações desta banda sonora decorreram na Islândia no último verão e os detalhes finais foram delineados em Los Angeles. Já agora, o filme estreou nos Estados Unidos no passado dia vinte e três de dezembro.
Em 2002 milhões de pessoas correram para os cinemas para ver a obra prima de Cameron Crowe, Vanilla Sky. E a grande maioria saiu das salas marcada pelo que viu, confusa e carregada de belíssimas imagens visuais na mente. No entanto, a mim o que mais marcou nesse filme foi a banda sonora. Mais do que a canção homónima assinada por Paul McCartney e a hipnótica Everything In Its Right Place dos Radiohead, fiquei deliciado com canções Svefn-g-englar, Ágætis Byrjun e Njosnavelin, interpretadas por uma banda islandesa na altura ainda estranha por mim e sobre a qual apenas tinha ouvido falar remotamente através do grande amigo João Génio, esse sim já na altura fã dessa banda chamada Sigur Rós. Recordo-me nesses dias ter sentido que estas canções deram um ambiente ainda mais etéreo e espiritual ao filme, fazendo sobressair intensamente algumas emoções que as personagens iam tentando interpretar. Agora, dez anos depois, não é para mim uma surpresa que Cameron Crowe tenha voltado a envolver este tipo de sonoridade no seu novo projeto cinematográfico, agora através de Jónsi, o vocalista dos Sigur Rós, nomeando-o responsável pela banda sonora de We Bought a Zoo.
De 2001 para cá muito mudou na sonoridade Jónsi e além das particularidades dos dois enredos cinematográficos não existe comparação possível entre a banda sonora dos dois filmes aqui citados. Aquela instrumentação quase extraterrestre dos Sigur Rós aterrou, sendo prova concreta disso o disco a solo Go, que inseriu três canções nesta nova banda sonora e Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust, o último disco de originais dos Sigur Rós. Estes dois discos são mais luminosos, espiritualmente alegres e menos nostálgicos que os trabalhos anteriores dos Sigur Rós e temas como Why Not?, Sun e Humming comprovam-no na perfeição. Os fãs que, como eu, não se importam muito de ouvir Jónsi a cantar em inglês poderão estranhar um pouco a colocação da voz nas novas canções que não estavam incluídas quer em Go quer nos discos dos Sigur Rós. No entanto, depois do hábito, a sensação é ótima e uma audição dessas canções com headphones (algo bastante recomendável na discografia deste músico e da sua banda) realça ainda mais as suas novas aptidões vocais.
Duas das novas canções que merecem o meu destaque são a borbulhante Gathering Stories escrita a meias com Crowe e Ævin Endar, uma daquelas baladas orquestrais e clássicas típicas de Jónsi. Já agora, alguns dos arranjos das canções estiveram a cargo do conceituado Nico Muhly.
Também gostei muito de Snærisendar e da canção homónima We Bought A Zoo, realçadas pelo falsete de Jónsi e pelos arranjos densos das cordas. No entanto, o meu grande destaque da banda sonora só pode ir para Hoppipolla, para mim a obra prima de Takk e dos próprios Sigur Rós.
Existe uma espécie de estereótipo no que diz respeito às carreiras de algumas bandas, principalmente quando são lideradas por músicos carismáticos e que depois se aventuram em carreiras a solo. Por muito esforço que haja existem sempre fortes elos de ligação entre os dois tipos de projeto e muitas vezes a sonoridade confunde-se. Obviamente que os Sigur Rós e Jónsi não fogem à regra e são óbvios alguns pontos em comum entre o último disco da banda islandesa editado em 2008 e Go. Esta banda sonora, no que concerne às novas canções de Jónsi é um passo em frente seguro relativamente a Go e sem perca de identidade; Mas espero que o novo disco dos Sigur Rós, com data prevista de lançamento para a próxima primavera, se distancie um pouco de tudo isto e que aquela sonoridade mais aberta e luminosa de Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust que tinha aterrado, não perca esses ingredientes felizes, mas volte a levantar voo e a juntar-se a outras sonoridades mais etéreas e espirituais, até porque o som de Jónsi Birgisson e dos Sigur Rós convida ao sonho e incita o nosso lado mais imaginativo. Espero que aprecies a sugestão…
01. Why Not
02. Aevin Endar
03. ABoy Lilikoi
04. Sun
05. Brambles
06. Sinking Friendships
07. We Bought A Zoo
08. Hoppipolla
09. Sniresndar
10. Sink Ships
11. Go Do
12. Whole Made Of Pieces
13. Humming
14. 14 First Day
15. Gathering Stories
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