Depois de no inicio do ano ter lançado Wit's End, Cass Mccombs, um músico norte americano natural da Califórnia, acaba de lançar Humor Risk, o
Cass McCombs deve ser um enorme romântico, além de ser o equivalente moderno aos andarilhos que durante a década de sessenta deambulavam pelas estradas norte americanas, vivendo em carros, roulotes e afins. De acordo com a critica consultada, o clássico Catacombs de 2009 era uma disco carregado de melancolia, que antecederam as exaltações sofridas do recente Wit’s End. E digo que ele é um romântico inveterado porque este Humor Risk é um verdadeiro compêndio de lamentos musicados e amores que não deram certo. São oito canções que reforçam pelos vistos uma boa fase do compositor em temros de inspiração e carregadas de amargura e uma sonoridade simplista, porém inebriante.
Apesar de ter tão poucas canções, o álbum não é sonoramente linear; McCombs não compôs Humor Risk dentro de uma fórmula única e imutável, porque aos poucos o disco revela um jogo de composições que se manifestam como uma grande colagem musical e que devem fazer uma espécie de súmula das influências sonoras de toda a discografia do músico, iniciada com A em 2003. Assim, ele pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas e doses de uma música folk ruidosa, criando uma rara coleção de versos sinceros, mesmo carregados de pesar e lamentações.
Logo no inicio, Love Thine Enemy remeteu-me para os Wilco devido às guitarras ensolaradas, mas também me pareceu notória a influência dos Velvet Underground nos timbres dessa guitarra, nos riffs simples e repetitivos e na voz monótona de Cass. Já a canção seguinte, The Living Word, puxa o ouviente para o tradicional jogo de sons e versos que caracterizam a carreira do músico. No entanto, acho que os melhores momentos são as composições mais extensas, porque possibilitam o explorar de uma sonoridade mais diluída, assim como uma maior projeção dos versos carregados de dor e beleza. Exemplo disso é Mystery Mail, fortemente influenciada pelas linhas melódicas caraterísitcas de um Bruce Springsteen, embora a fina camada instrumental também aproxime a canção do rock alternativo dos anos 90. O single The Same Thing e o meu grande destaque do álbum, explora a tonalidade acústica e quase intimista do músico e em To Every Man His Chimera somos afundados num oceano de melancolia ilimitada, algo que se mantém na faixa seguinte, Robin Egg Blue.
Em suma, o disco mantém uma fluidez agradável e uma formidável sequência de composições, além de ser bastante radiofónico, o que poderá fazer com que este Humor Risk abra as portas para que mais público se aproxime do trabalho deste músico californiano. Espero que aprecies a sugestão...
01. Love Thine Enemy
02. The Living Word
03. The Same Thing
04. To Every Man His Chimera
05. Robin Egg Blue
06. Mystery Mail
07. Meet Me At the Mannequin Gallery
08. Mariah
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