Jaguar Sun e Jesse Maranger – Blossom EP

Tem sido presença assídua recente neste espaço de crítica e divulgação sonora, um projeto a solo chamado Jaguar Sun, com origens em Ontário, no Canadá e encabeçado pelo multi-instrumentista Chris Minielly. É um músico que navega nas águas serenas de uma indie pop apimentada por paisagens ilidíacas e que começou por impressionar esta redação no verão de dois mil e vinte com This Empty Town, o disco de estreia, um trabalho que teve sucessor no ano seguinte, um álbum com onze canções intitulado All We've Ever Known e que tinha a chancela da Born Losers Records.


Jaguar Sun And Jesse Maranger


Já na primavera deste ano de dois mil e vinte e cinco, e cerca de quatro anos após o sempre dificil segundo disco, Jaguar Sun regressou ao nosso radar com uma nova canção intitulada Thousand Sun e volta agora a fazê-lo de mãos dadas com o cantor conterrâneo Jesse Merenger. Juntos incubaram um EP com quatro canções intitulado Blossom, perfeito para ouvirmos em looping sempre que quisermos refugiar-nos em algo aconchegante e, simultaneamente, deixar um pouco de lado este estranho mundo em que vivemos.


As quatro canções de Blossom tanto exalam intimidade como expansividade e vigor. Melodicamente felizes, nelas linhas de guitarras acústicas, com um timbre texturalmente rico, intenso e impressivo e algumas subtis sintetizações, simultaneamente cósmicas e delicadas, sustentam quase quinze minutos que entre um indie pop ecoante e psicadélico e um alt-folk intimista e bastante sensorial, ressoam nos nossos ouvidos como uma espécie de celebração da persistência nas nossas convicções e nos nossos sonhos.


A riqueza luminosa e deslumbrante das cordas que iluminam o maravilhoso percurso melódico feito por April Air, o clima nostálgico e clássico da encantadora Different Light, a imersiva e tremendamente textural When I Was Young, o tema do EP em que melhor sobressai o famoso timbre adocicado de Jesse e a astuta Move On, uma canção com elevado travo folk, assente em cordas luminosas, um baixo discreto, mas omnipresente e diversos entalhes rugosos proporcionados por teclas e bateria, são lindíssimas partes de uma soma que, no seu todo, formam um longo, revigorante e relaxante arfar sonoro, incubado por dois mestres na criação de canções sempre íntimas, melancolicamente reluzentes e particularmente gráficas. Espero que aprecies a sugestão...






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