Nothing – Cannibal World

Editado em dois mil e catoze, Guilty of Everything foi o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia, que logo nesse primeiro disco clarificou deambular entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral. Após essa estreia, o grupo foi, com mais dois registos no catálogo, Tired Of Tomorrow e Dancing On The Blacktoop, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line, oferecendo, a quem os quisesse ouvir, o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.



Em dois mil e vinte os Nothing chamaram a nossa atenção com The Great Dismal, o quarto disco do grupo liderado por Dominic Palermo e ao qual se juntam atualmente o guitarrista Doyle Martin, o baixista Bobb Bruno, o baterista Zachary Jones e o guitarrista Cam Smith.Esse álbum era mais um documento essencial para se perceber a progressão do quarteto. Tinha um alinhamento assente na primazia das guitarras, mas também contava com um elevado teor sintético, uma nuance que conferiu ao seu som uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que, na verdade, acabou por amenizar o cariz eminentemente sombrio do rock que os Nothing se gabam de saber replicar melhor que ninguém.


Agora, meia década depois, o projeto norte-americano regressa à nossa órbita à boleia de Cannibal World, o primeiro avanço revelado de A Short History of Decay, o quinto disco da banda, um registo com nove canções, que vai ver a luz do dia a vinte e sete de fevereiro de dois mil e vinte e seis e que terá a chancela da Run For Cover Records.


Crua, suja e rude, Cannibal World assenta a sua filosofia interpretativa no ruído sombrio de guitarras tocadas em reverb, numa postura claramente lo fi, além de um registo percurssivo imponente e vigoroso, nuances importantes para criar o clima shoegaze pretendido, caraterísticas bem vincadas de uma identidade sonora muito própria e que define, sem sombra de dúvida, o melhor adn dos Nothing. Confere Cannibal World e o artwork e a tracklist de A Short History of Decay...




Never Come Never Morning
Cannibal World
A Short History Of Decay
The Rain Don't Care
Purple Strings
Toothless Coal
Ballad Of The Traitor
Nerve Scales
Essential Tremors

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