Natural de Austin, no Texas, o norte-americano Kevin Peroni encabeça o projeto Wiretree, juntamente com Joshua Kaplan, Gregory White, Rachel Peroni e Daniel Jones, que se estreou em dois mil e sete com o álbum Bouldin e que cria e lança música de forma independente, sem grandes constrangimentos ou preocupações musicais. É um modus operandi que se saúda e que tem como origem uma mente criativa superlativa, exímia a criar canções com rara beleza, sobriedade e sensibilidade.

Em nove canções que duram, no total, pouco mais de vinte e sete minutos, Back On Track comprova o nível de excelência deste projeto Wiretree, justificando que a banda seja vista pela crítica especializada com outros olhos, de modo a que obtenha uma maior capacidade de chegar a um público mais vasto e não apenas a um nicho muito restrito, como parece ser o caso.
Nas nove canções de Back On Track existe potencial para a descoberta de canções que se consigam manter num elevado nível de airplay radiofónico, já que, sendo orelhudas e melodicamente felizes, conseguem também oferecer ao ouvinte detalhes e nuances que os cativem e que os deixem felizes com a descoberta, quer do álbum, quer da banda.
Assim, Back On Track, registo que tem a chancela da Cobaltworks Music, tem em canções como Spinning, quase três minutos com uma atmosfera indie inebriante e plena de personalidade, ou Turn Things Around, uma canção que seduz pelo perfil metálico e estridente das guitarras, que acompanham exemplarmente uma base rítmica algo hipnótica, acompanhada por diversos arranjos repletos de adornos percussivos insinuantes, dois excelentes momentos sonoros. No entanto, logo na dócil acusticidade luminosa de Break It In Two e no modo como o baixo e as cordas se entrelaçam com uma bateria exemplarmente arritmada em Solitary, ficamos certos do elevado grau de excelência desta preciosidade que temos em mãos, ou melhor, nos ouvidos, chamada Back On Track. Depois, o clima folk festivo de Lost And Found, um festim de cordas acústicas tocadas com destreza e vigor, o travo classicista de Turquoise Tiles, apimentado por uma harmónica melodicamente sagaz e o piscar de olhos ao blues rock em Broken Branches, são outros momentos maiores de um extraordinário disco, com um curioso travo lisérgico e saudávelmente experimental. Espero que aprecies a sugestão...
01. Break It In Two
02. Solitary
03. Back On Track
04. Turn Things Around
05. Spinning
06. Lost and Found
07. Turquoise Tiles
08. Broken Branches
09. Around The Edges
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