The Antlers – Something In The Air

Os The Antlers, um projeto fundamental do indie rock experimental norte-americano dos últimos vinte e cinco anos, formado por Peter Silberman e por Michael Lerner, lançaram em dois mil e vinte e um o último disco de originais, um trabalho chamado Green To Gold, que vai ter finalmente sucessor. Trata-se de um alinhamento de dez canções intitulado Blight, que vai ver a luz do dia a dez de outubro, com a chancela da Transgressive Recordings.


The Antlers have shared new single “Something in the Air,” a track of their forthcoming album Blight, available October 10 via Transgressive


pic by K. Hover


Como certamente os leitores mais atentos deste espaço de crítica e divulgação musical se recordam, os The Antlers mantiveram-se ativos depois de Green To Gold, nomeadamente em dois mil e vinte e três, ano em que divulgaram os temas Ahimsa, sete minutos preenchidos com uma lindíssima folk tipicamente americana, batizados com o nome de um ancião índio e cujo original era um dos momentos maiores da carreira a solo de Peter, a lindíssima balada I Was Not There, uma canção intitulada Rains, que era um espantoso tema sobre renovação, otimismo e abertura à mudança e Tide, uma composição que versava sobre o modo como o tempo passa implacavelmente, sem pausas ou esperas, por cada um de nós. Blight acaba por ser uma consequência lógica desse processo criativo, apesar de nenhum destes quatro temas fazer parte do seu alinhamento.


Seja como for, e em jeito de antecipação, os The Antlers disponibilizaram, em julho, para audição, o primeiro single do disco e a terceira canção do alinhamento de Blight. Era uma composição intitulada Carnage, que, de acordo com Silberman, versava sobre o modo cruel como tratamos outras espécies para nossa conveniência.


Agora, no início de setembro, temos a oportunidade de escutar outro single de Blight. Trata-se de Something In The Air, o sexto tema do alinhamento do disco. Something In The Air é uma canção soberba no modo como respeita e, de certo modo, sublima a mais pura essência do adn dos The Antlers. Num misto de intimidade, espiritualidade e delicadeza, o piano magnânimo e cru, as cordas serenas que depois, a meio, resvalam para uma espiral sónica de reverberizações e os vários entalhes percurssivos, muitos de origem sintética, constroem um tema melodicamente simples, mas rico em nuances e que acaba por ser também lindíssimo porque, a espaços, consegue ser inquietante, não deixando indiferente o ouvinte mais dedicado. Confere...



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