Natural de Okemos, no Michigan, Ben Schneider encabeça o conceituado projeto Lord Huron, atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia e que se estreou em dois mil e doze com o registo Lonesome Dreams, que foi amplamente aclamado pela crítica e que teve a chancela da Play It Again Sam Recordings. Agora, em dois mil e vinte e cinco, Lord Huron está de regresso à ribalta com The Cosmic Selector Vol. 1, o quinto disco da do grupo e que tem a chancela da Mercury Recordings.

Pic by Cole Silberman
Com uma discografia já bastante sólida e com uma vasta legião de seguidores fiéis, este projeto Lord Huron solidifica em The Cosmic Selector Vol. 1, com notável eficácia, a elevada bitola qualitativa do seu catálogo, à boleia de doze canções que, em quase cinquenta minutos, nos presenteiam com canções que calcorreiam caminhos tão díspares como a folk introspetiva, o rock alternativo e o rock progressivo e o próprio jazz.
Se The Cosmic Selector Vol. 1 abre de modo intimista e melancólico com a ecoante Looking Back, tema em que ressalta uma acústica dedilhada, enquanto texturas rodopiantes flutuam pelo campo estéreo, logo a seguir em Bag Of Bones, a agulha muda para territórios mais intrincados e encorpados. Trata-se de uma composição que balança num curioso misto entre intimidade e epicidade, lisergia e opulência, uma mistura alicerçada num inspiradíssimo acerto melódico, feito de cordas empolgantes, uma bateria envolvente, uma harmónica insinuante mas segura e diversos efeitos conferidos por uma guitarra plena de soul, imponente e que ciranda por ali, algures entre alguns dos melhores tiques identitários da típica folk norte-americana e aquele rock mais progressivo, que olha para a década de setenta do século passado com particular gula.
Depois deste início tão prometedor, damos de caras com a folk na sua mais pura essência à boleia de Nothing I Need, um luminoso e radiante oásis de cordas acústicas e onde não falta sequer o banjo e a harmónica. Depois, enquanto o disco flutua por atmosferas ou algo nebulosas, ou mais radiantes, damos de caras com um piscar de olhos efusivo à pop em Who Laughs Last, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kristen Stewart e que impressiona pelo modo como o refrão se insinua e cresce em arrojo e emotividade.
Outro dos grandes momentos do disco é Fire Eternal, mais uma canção melodicamente inspiradíssima e que conta com outra participação especial, neste caso de Kazu Makino. Fire Eternal navega novamente nas águas límpidas de uma pop que, neste caso, exala uma tremenda sensualidade, muito por causa de um insolente e insinuante piano e de um registo vocal tremendamente adocicado.
Até ao ocaso do disco, o piscar de olhos ao indie alternativo noventista, feito com guitarras fluídas e sobrepostas com mestria, em Used To Know e o clima eminentemente clássico e nostálgico que sustenta a imponência de Life Is Strange, são outros instantes maravilhosos deste The Cosmic Selector Vol. 1, um disco fantástico e cheio de nuances, mas também íntimo, profundo, reflexivo. É um registo repleto de laivos musicais de excelência e que proporcionam ao ouvinte muitas boas sensações, que só a vivência da audição consegue suscitar e descrever com detalhe. Espero que aprecies a sugestão...
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