O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual. Concretizando, na última década e meia, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015), Schmilco (2016) Cruel Country (2022) e, muito recentemente, Cousin (2023). Entretanto, em dois mil e dezoito, aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde dissertou sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco.

Pic by Shervin Lainez
À boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar alguns registos a solo, sendo o mais conseguido WARM, onze canções que viram a luz do dia nesse mesmo ano de dois mil e dezoito com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucederam a Together at Last (2017), um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua, na altura, já extensa carreira. Depois de WARM, em dois mil e dezanove chegou Warmer, disco que, conforme o título indica, não estava dissociado do conteúdo do antecessor, já que, além de ter sido gravado durante o mesmo período em que foi captado WARM, acabou por, na sua essência, obedecer à mesma filosofia sonora estilística.
No início do estranho outono de dois mil e vinte, Jeff Tweedy deu ao mundo Love Is The King, a última obra discográfica em nome próprio de um compositor que assenta o seu processo criativo numa concepção de escrita que explora bastante a dicotomia entre sentimentos e no modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.
Agora, em pleno verão de dois mil e vinte e cinco, Jeff Tweedy volta a colocar-nos em sentido devido ao anúncio de um novo capítulo discográfico da sua carreira a solo. Trata-se de um triplo (?) álbum com um total de trinta canções, intitulado Twilight Override, que irá ver a luz do dia a vinte e seis de setembro, com a chancela da dBpm. Twilight Override foi gravado pelo próprio Tweedy no seu estúdio The Loft, em Chicago, com a ajuda do seu colaborador de longa data, Tom Schick e conta com as participações especiais de James Elkington, Sima Cunningham, Macie Stewart, Liam Kazar e Spencer e Sammy, filhos de Tweedy.
Em jeito de antecipação, Jeff Tweedy revelou há pouco mais de um mês quatro composições desse extenso alinhamento de Twilight Override. Eram os temas Enough, One Tiny Flower, Out In The Dark e Stray Cats In Spain. O primeiro era um tema eminentemente contemplativo e intimista, Stray Cats In Spain também carregava essa marca eminentemente reflexiva e pessoal, One Tiny Flower impressionou-nos pela exuberância e Out In The Dark refletia sobre o processo criativo que tem orientado a carreira deste músico extraordinário.
Agora, na última semana de agosto, temos a oportunidade de escutar a canção Feel Free, o tema que encerra o alinhamento do segundo disco de Twilight Override. É uma composição que, de acordo com o próprio Tweedy, incentiva-nos a reconhecer as diferentes formas e vertentes que o conceito de liberdade pode abranger, em pouco mais de sete minutos com um perfil sonoro inicialmente de forte pendor orgânico e reflexivo. Depois, as cordas da viola tocada por Tweedy, recebem um violino insinuante, alguns efeitos planantes e uma bateria com elevado travo jazzístico, nuances que oferecem a Feel Free um carisma ímpar e uma alma intensa.
Esta é mais uma composição do alinhamento de Twilight Override que nos mostra que vem aí um álbum que será jubilante tratado folk, assente numa constante dicotomia entre sentimentos e confissões, não faltando também, de certeza, algumas nuances mais eletrificadas e radiofónicas, algo também muito presente na génese do catálogo deste músico de Chicago. Confere...
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