O bucolismo de Winnipeg é o poiso dos Living Hour, um projeto sonoro canadiano que se estreou em dois mil e dezasseis nos discos com um homónimo que teve a chancela da conceituada Lefse Records e que em oito canções nos ofereceu uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos tem deixado, com fundamentos que remontam à psicadelia que começou a fazer escola na década de sessenta do século passado.

Em dois mil e vinte e dois e três anos após o registo Softer Faces, os Living Hour regressaram ao formato álbum com Someday Is Today, um trabalho que contava nos créditos da produção com a colaboração da multi-instrumentista e produtora norte-americana Melina Mae Duterte aka Jay Som, além de Jonathan Schenke e Samur Khouja e que sonoramente parecia estar preso num qualquer transístor há várias décadas, mas que foi libertado com o aconchego que a evolução tecnológica permite, ajudando-nos a olhar de frente para o vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, nos obrigam sempre a procurarmos uma estadia de magia e delicadeza invulgares, caso queiramos respostas consistentes e definitivas.
Agora, três anos depois de Someday Is Today, os Living Hour acabam de anunciar um novo registo de originais, um álbum intitulado Internal Drone Infinity, que chegará aos escaparates a dezassete de outubro, com a chancela da Paper Bag Records e que filosoficamente deverá seguir as premissas reflexivas do disco anterior, se tivermos em conta o conteúdo de Wheel, o primeiro single divulgado do seu alinhamento.
Wheel sobrevive à custa de cordas vibrantes, que são trespassadas por efeitos abrasivos ecoantes, num tema que vai crescendo em arrojo e emoção. A canção também impressiona pelo registo vocal ecoante, mas, principalmente, pelo elevado grau de lisergia das guitarras, melodicamente sagazes, que dão vida a um clima bastante sentimental e envolvente. Confere...
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...