Em setembro de dois mil e dezoito foi disco de destaque nesta redação Transangelic Exodus, na altura o quarto registo de originais de Ezra Furman, um cantor e compositor norte-americano natural de Chicago e que aos trinta e dois anos assinava, na altura, o seu disco mais maduro e consistente. Transangelic Exodus era um trabalho tremendamente expositivo e resultou de uma entrega total de um músico a uma causa que era, sem tirar nem pôr, o querer mostrar ao mundo a sua identidade vincada, assumir-se perante nós como um ser humano com as suas fragilidades e os seus demónios, mas que também tinha um lado muito corajoso e interventivo.

Pic by Ezra Furman / Eleanor Petry
Agora, mais de meia década depois, Ezra Furman, a agora artista
, está de regresso ao nosso radar à boleia dos primeiros avanços que vai revelando para Goodbye Small Head, o novo disco da autora, um alinhamento de doze canções que vai ver a luz do dia, dentro de dias, a dezasseis de maio, com a chancela da insuspeita Bella Union.
Sucessor de um registo intitulado All Of Us Flames, lançado em dois mil e vinte e dois, Goodbye Small Head foi gravado com o produtor Brian Deck e Furman descreve o mesmo como doze variações sobre a experiência de perder completamente o controle, seja por fraqueza, doença, misticismo, BDSM, drogas, desgosto ou apenas por viver numa sociedade doente com os olhos abertos.
Grand Mal, tema que impressionava pelo requinte das cordas e pela impulsividade do piano, intenso e melodicamente requintado, com a profundidade lírica e a habitual expressividade vocal de Furman, foi o primeiro single que revelámos do álbum, há pouco mais de dois meses. Já em março, chegou a vez de escutarmos Jump Out, a terceira canção do alinhamento de Goodbye Small Head, uma curiosa composição que retratava um momento angustiante, em que alguém está dentro de um carro e salta dele, com o mesmo em movimento, porque se sente ameaçado por um condutor que demonstra ter uma conduta duvidosa. sonoramente.
Agora, a duas semanas do lançamento do disco, temos a oportunidade de conferir Power Of The Moon, uma canção que assenta numa batida sintética angulosa, que depois acama guitarras vibrantes com um travo surf e sessentista intensos. Num misto de luminosidade e rugosidade, a composição vai crescendo em arrojo e intensidade sentimental, sensações ampliadas pela filosofia do tema que aborda as contradições e as lutas existenciais inerentes ao processo de transformação que vivem todos aqueles que experimentam a mesma realidade pessoal que viveu na última década desta artista norte-americana. Confere Power Of The Moon e o vídeo da canção assinado por Sam Durkes...
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