Born Ruffians – Supersonic Man EP

Depois de uma sequência de temas divulgados em dois mil e vinte e um e no ano seguinte, os canadianos Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin, voltam a mostrar intensa atividade e a chamar novamente a nossa atenção devido a um EP com quatro temas intitulado Supersonic Man, que antecipa um novo disco do projeto, intitulado Beauty’s Pride, que deverá ver a luz do dia a seis de junho, com a chancela da Wavy Haze Records.


Beauty's Pride | Born Ruffians


Gravadas com a ajuda do produtor Roger Leavens e misturadas por Gus Van Go (Metric, The Beaches), estas quatro novas canções dos Born Ruffians são um excelente aperitivo para um disco que será uma obra conceptual sobre a experiência recente da paternidade, vivida por Luke Lalonde, pai há pouco mais de um ano. Todas as composições do disco terão presente essa novidade, começando logo por Supersonic Man, um tema que, metaforicamente, se debruça sobre as primeiras experiências vividas por um alien humanóide que acaba de chegar ao nosso planeta e que, na opinião do vocalista e guitarrista, pode muito bem ser o seu filho.


Sonoramente, no shoegaze cósmico do tema homónimo, uma canção que os Oasis poderão vir a recriar lá para dois mil e sessenta e sete, no clima épico e vibrante de Mean Time, no intenso perfil radiofónico consistente de Let You Down e no excelente indie pop em que se sustenta What A Ride, todas as canções deste EP têm um brilho lisérgico único, sendo adornadas por sintetizações borbulhantes, que vão recebendo diversos timbres de cordas, acústicos e eletrificados, geralmente responsáveis pela condução melódica das mesmas. O registo vocal ecoante de Luke tem sempre um perfil bastante emotivo e, para rematar, um imponente baixo ajuda a conferir brilho e vigor à medida que os temas cimentam o seu elevado cariz confessional.


Como seria de esperar, Supersonic Man EP é um extraordinário aperitivo para um álbum que deverá, uma vez mais, focar-se, em jeito de influência, no período mais áureo daquele experimentalismo setentista que tanto dava enorme ênfase ao vigor das cordas, como à opção por arsenais instrumentais de proveniências menos orgânicas e, em simultâneo, comprovar porque é que os Born Ruffians são unanimemente aceites como fiéis sustentáculos de uma permissa revivalista sonora, plena de atitude e de firmeza. Espero que aprecies a sugestão...




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