O aclamado produtor norte-americano Jonathan Wilson que, conforme demos conta na primavera de dois mil e vinte dois, ajudou Father John Misty a dar mais uma guinada conceptual e até sonora no seu catálogo, ao produzir Chloë And The Next 20th Century, tem uma reputadíssima carreira de produtor, tendo também, à semelhança do que fez com Misty, produzido discos de Angel Olsen, Margo Price e muitos outros. Além disso, é também vocalista e guitarrista da banda de Roger Waters. Importa ainda referir que Wilson tem uma curiosa carreira musical interpretativa, primeiro como membro integrante do projeto Muscadine, que fez furor no final do século passado e depois, a partir de dois mil e sete, a solo, uma fase individual criativa que viu o seu último capítulo em dois mil e vinte com o disco Dixie Blur.

Em dois mil e vinte e três Jonathan Wilson vai adicionar mais um compêndio ao seu catálogo a solo à boleia de Eat The Worm, um álbum com treze canções, anunciado em março último, quando Wilson divulgou Marzipan, o primeiro single extraído de um registo que irá chegar aos escaparates no início de setembro, com a chancela da BMG, tendo sido gravado, quase na íntegra, nos estúdios do músico, em Topanga Canyon, na Califórnia.
Como certamente os mais atentos se recordam, em junho contemplámos o segundo single extraído de Eat The Worm, um tema intitulado Charlie Parker. Era um fabuloso tratado sonoro, tremendamente cinematográfico, que materializava uma espécie de colagem de vários trechos díspares numa única composição, enquanto abraça um elevado leque de influências que iam do jazz à folk, passando pelo rock psicadélico e progressivo.Agora, em pleno mês de agosto, chega a vez de nos deliciarmos com The Village Is Dead, a quinta canção do alinhamento de Eat The Worm. Em The Village Is Dead Jonathan Wilson expressa impressivamente e com um frenesim intuitivo luminoso e festivo, todos os seus atributos crativos. É um tema rápido e incisivo e que assentando numa efusiante vertigem percussiva, impressiona pelo modo como um piano sem rédeas se junta à guitarra para homenagear o movimento folk que, na década de sessenta do século passado, florescia em Greenwich Village, bairros dos subúrbios de Nova Iorque, hoje transformado num complexo residencial apenas acessível à elite. Confere...
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