O contrabaixista e compositor André Carvalho chamou a nossa atenção em dois mil e vinte e um devido a Lost In Translation, o quarto álbum da sua carreira, um disco que na altura viu a luz do dia com a chancela da editora americana Outside in Music e que contou com os apoios da Fundação GDA, Antena 2, Companhia de Actores e do Teatro Municipal Amélia Rey Colaço.

Agora, em dois mil e vinte e três, André Carvalho prossegue a sua viagem pelo mundo das palavras intraduzíveis com um segundo volume chamado Lost In Translation II, que chegou aos escaparates no final do mês de março. Carvalho afirma que certamente já se depararam com conceitos para os quais não temos uma palavra na nossa língua. Não quer isto dizer que não exista numa outra língua e que uma outra cultura tenha criado termo para tal conceito. Aprender tais palavras pode ser uma maneira de nos podermos exprimir melhor, vermos o mundo pelo olhar dos outros e de termos uma consciência maior do mundo exterior e do nosso mundo interior. Segundo o contrabaixista e compositor, a temática das palavras intraduzíveis, começou como uma mera curiosidade, mas rapidamente se tornou algo fascinante e, por isso, fazia todo o sentido continuar o projecto.
Nesta sequela, Carvalho voltou a reunir o trio composto pelo saxofonista José Soares e pelo guitarrista André Matos, seus colaboradores habituais, para criar um álbum contemplativo, intimista e ao mesmo tempo cru, que contém sete composições do líder e uma de André Matos, onde a improvisação, a espontaneidade e a exploração tímbrico-textural estão no centro do som do trio. Retomando a ideia de que aprender palavras intraduzíveis pode ser uma ponte entre culturas, o novo álbum inclui composições inspiradas em palavras de línguas como o Farsi, Hausa ou Finlandês.
Hoje apresentamos uma delas intitulada Waldeinsamkeit, uma palavra intraduzível para expressar o sentimento de estar sozinho na natureza, nomeadamente num bosque. De acordo com o autor, este tema é constituído por uma única melodia, escrita sem harmonia ou ritmo. Uma única melodia que vai sendo tocada pelos vários elementos do trio. Quis que este tema fosse despido, simples e que a melodia fosse suficientemente forte para contar uma história só por si. Uma única melodia, como se se tratasse de uma pessoa sozinha no meio de um bosque. É um ambiente contemplativo, introspectivo e calmo. O tema começa por uma pequena introdução em que os vários músicos criam uma atmosfera quase onírica.
Confere Waldeinsamkeit e o vídeo do tema realizado por Pedro Caldeira, com direção de fotografia de João Hasselberg e assistência de Martim Torres e que capta uma interpretação a solo de Waldeinsamkeit...
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