Os Suuns são um dos segredos mais bem guardados do panorama alternativo canadiano. Apareceram em dois mil e sete pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em dois mil e dez com Zeroes QC e três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, tendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa. Já na segunda metade da última década a dose dupla Hold/Still e Felt manteve a bitola elevada, dois discos que confirmaram definitivamente que estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

No final de dois mil e vinte e um os Suuns regressaram em força ao nosso radar devido a The Witness, o quinto disco da carreira do grupo, um alinhamento de oito canções que reforçou a mestria intepretativa destes verdadeiros músicos e filósofos e que impressinou porque, não colocando minimamente em causa a herança do projeto e oferecendo-nos, principalmente ao nível da escrita e da composição, mais um fantástico naipe de canções com um forte cariz impressivo e realístico, tinha na sua génese o jazz experimental, algo inédito e até algo surpreendente na carreira da banda.
Agora, no início de dois mil e vinte e três, os Suuns voltam à carga com Wave, uma nova canção que não traz ainda atrelada anúncio de um novo álbum do trio. Wave foi masterizada por James Plotkin, produzida por Adrian Popovich nos estúdios Mountain City Recording Studio, em julho passado e incubada durante jam sessions da banda que decorreram durante a digressão que o projeto canadiano fez o ano passado de suporte a The Witness e que exploraram novos horizontes sonoros, através de um registo eminentemente experimental e intuitivo. O tema profundamente orgânico, projeta-se num conjunto de rugosas e abrasivas sintetizações, com uma base sonora bastante peculiar e climática, ora banhadas por um doce toque de psicadelia narcótica a preto e branco, ora consumidas por uma batida com um teor ambiental denso e encorpado. Confere...
Comentários
Enviar um comentário
Comment, please...