José Tornada - Wild Promises

A dupla lusa Los Waves, formada por José Tornada e Jorge da Fonseca, tem merecido destaque por parte da nossa redação na última década, porque, quando surge com novidades, consegue dar sempre nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional. Recordamo-nos particularmente do disco de estreia, lançado em dois mil e catorze. Intitulava-se This Is Los Waves So What? e continha onze canções dominadas pelo rock festivo e solarengo, mas onde a eletrónica também tinha uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduziam, quase sempre, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressionou pelo charme vintage.


José Tornada antecipa primeiro longa duração “Love, Hope, Desire and Fear”  com “Wild Promises” – Glam Magazine


No final da última primavera, em junho, José Tornada, um dos membros da dupla Los Waves, chamou a nossa atenção com um single intitulado Visions, que viu a luz do dia em formato EP e que antecipava o disco de estreia do músico, um álbum intitulado Love, Hope, Desire and Fear, que nasce da busca de uma essência e de uma identidade sonora e  que irá ver a luz do dia a trinta de setembro. O trabalho irá ter como ponto de partida o piano, e influências de artistas como Ryuichi Sakamoto e Philip Glass, contando com a participação do violinista norte-americano Nathaniel Wolkstein e da poetisa alemã Roses Sabra, cuja voz dá corpo à história que envolve o álbum. Continuando a parafrasear o press release de Wild Promises, o último single retirado do alinhamento de Love, Hope, Desire and Fear, o texto e a voz foram elementos preponderantes na composição do disco, pois para José Tornada houve o objectivo de humanizar e dar coesão ao disco como se de uma peça única se tratasse. Além do autor passar por vários estilos musicais, oscilando entre o piano a solo, neo-classico orquestrado, minimal e ambiente, todas as faixas têm uma linha fluente que as liga, sendo um trabalho que pode ser ouvido do ínicio ao fim como uma faixa continua. Através da simplicidade melódica, de peças com métrica de “canção” e do uso de voz, poesia e sintetizadores, Love, Hope, Desire and Fear pretende quebrar a barreira e o preconceito que existem em relação à música clássica tradicional e erudita.


Relativamente a Wild Promises, é uma peça de piano íntima, em que o autor tenta capturar o sentimento de espectativas e promessas que todos fazemos a nós próprios. O piano suave do verso é uma metáfora para a esperança interior e incerteza, enquanto o crescendo final é a realização de todas essas espectativas.


Não termino sem recordar que, à semelhança do que redigi em junho quando a nossa redação divulgou o single Visions, José tornada é um pianista, compositor e produtor, que descobriu o seu interesse pela música e melodia desde muito cedo. É através dos jogos de consola japoneses dos anos noventa e de Claude Debussy que começa a explorar o piano e a reproduzir pequenos trechos melódicos dos mesmos. Aos dezanove anos desiste do curso de arquitectura e muda-se para Londres para perseguir uma carreira na música. Lá dá os seus primeiros concertos e faz as primeiras composições para filmes e televisão. Warner Bros, BBC, FOX, MTV, AXN, VH1 e CBS são algumas das produtoras que fazem parte do portfólio de Tornada. É também em Londres que edita os primeiros discos através da Urban Outfitters UK, Rimeout Records Japan e na Optimus Discos Portugal.


Com este seu disco de estreia José Tornada volta a redescobrir o interesse pela música clássica e instrumental, voltando ao ponto de partida, a simplicidade melódica da sua infância. É com esta premissa, a de explorar a música no seu estado mais simples e puro, que se isola na ruralidade do Alentejo durante um ano para compor o seu primeiro álbum de música clássica. A viver num pré-fabricado de 15m2, rodeado de ovelhas, começa a construir a sua identidade e a sua interpretação do que é a música clássica contemporânea: influenciado pelas bandas sonoras de jogos e animes da sua infância, pela cadência de Carlos Paredes e os acordes de Radiohead descobertos na adolescência e pela experiência de produção e composição adquirida em idade adulta. As influências e experiências do seu passado recente trazem ao seu trabalho uma sensibilidade pop mantendo a profundidade e a simplicidade na composição, arranjo e produção. Confere...


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