Um dos discos que mais agradou à nossa redação em dois mil e dezanove foi Onwards To Zion, um trabalho assinado, quase na íntegra, por Tim Bettinson, o músico e compositor australiano que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic. Era, à altura, o segundo registo de originais de um projeto que ficou logo debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo e que tinha como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.
Agora, no verão de dois mil e vinte e dois, Fallen Paradise é o novo álbum deste projeto Vancouver Sleep Clinic, o terceiro do grupo, um alinhamento de dez canções que tem a chancela da Believe e que nos oferece pouco mais de trinta e seis minutos de música bastante envolvente, intimista e charmosa. É um disco intenso, riquíssimo em detalhes e nuances, orquestralmente chega a ser extravagante em alguns momentos e é tocante, já que exala, em praticamente todo o seu alinhamento, sentimentos que, à partida, mexem sempre com o nosso âmago e o nosso lado mais irracional.
De facto, logo em Magic Bettinson avisa-nos que há magia no ar e que, se persistirmos na audição de Fallen Paradise é impossível fugirmos à cartilha hipnotizante de uma banda sonora que pretende encarnar uma espécie de mundo dos sonhos e dos desejos. A pueril guitarra que se espraia em espuma e dor em Love You Like I Do, a luminosidade intimista de The Flow, uma canção angulosamente rica em sensualidade, a feliz interseção entre R&B e rock ambiental plasmada em The Wire e, em Blood Money, a mescla assertiva entre um lindíssimo piano sonhador, abraçado à voz tocante de Tim, a sintetizadores cósmicos e a outros arranjos da mais diversificada proveniência, são músicas que entroncam no desejo deste inspirado músico de materializar em Fallen Paradise um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, com o jazz, o rock melancólico setentista e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias de um alinhamento que não deixa ninguém passar incólume e que serve como ponte vigorosa, estável e firme para uma travessia segura rumo a um território de aconchego inimitável. Espero que aprecies a sugestão...
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