Onze anos depois do espetacular registo It Culls You, os norte-americanos The Envy Corps de Brandon Darner, Micah Natera, Luke Pettipoole e Scott Yoshimura, estão de regresso aos discos com Born In Fog, o terceiro álbum da banda natural de Ames, no Iowa.

Produzido pelo próprio Brandon Darner, Born In Fog é um extraordinário compêndio de indie rock experimental, o território onde este projeto que tem sido comparado, ao longo do tempo, a nomes tão relevantes como os Radiohead, Doves, Modest Mouse, ou os TV On The Radio, se sente mais confortável. As cordas do baixo são, portanto, e como seria de esperar, o suporte rítmico por excelência de canções que depois têm na guitarra um indutor melódico de excelência, num resultado final de elevado pendor rugoso e vibrante, mas também algo catárquico e esotérico.
O clima pulsante de Binary Low, sustentado numa bateria algo abafada, acompanhada por um piano imponente, o ambiente melancólico que assola Weather Baby, ou o riacho de acusticidade intimista que nos encharca em The Breadline e, de um modo mais sintético, em It's Not Enough To Try, são fiéis retratos das diversas nuances estilísticas que encorpam Born In Fog, um disco que parece, amiúde, assombrar-nos, no sentido positivo do termo, porque nos absorve e compromete de modo particularmente realista.
Born In Fog também é marcante pelo modo como defende e consolida um rock que é tipicamente americano, não só no seu busílis sonoro, mas também porque versa sobre um pais cada vez mais cosmopolita e absorvido nas suas próprias encruzilhadas. O disco comprova que estes The Envy Corps, mesmo depois de um longo hiato e de não terem o reconhecimento internacional que claramente merecem, devem ser cada vez mais vistos como um projeto visionário que encarna, neste Born In Fog, um desejo claro de renovação, explorando habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de vários elementos de uma forma direta, mas também densa, sombria e marcadamente experimental. Em suma, canção após canção, mesmo podendo haver um ziguezaguear constante de estilos, atmosferas e estruturas, tal percurso sinuoso nunca coloca em causa o brilhantismo constante que este alinhamento nos oferece em cerca de meia hora particularmente inspirada. Espero que aprecies a sugestão...
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