O bucolismo de Winnipeg é o poiso dos Living Hour, um projeto sonoro canadiano que se estreou em dois mil e dezasseis nos discos com um homónimo que teve a chancela da conceituada Lefse Records e que em oito canções nos ofereceu uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos tem deixado, com fundamentos que remontam à psicadelia que começou a fazer escola na década de sessenta do século passado.
Agora, em dois mil e vinte e dois e três anos após o registo Softer Faces, os Living Hour estão de regresso aos formato álbum com Someday Is Today, um trabalho que conta com a colaboração da multi-instrumentista e produtora norte-americana Melina Mae Duterte aka Jay Som e que terá um alinhamento de onze composições que deverão manter o projeto a alimentar uma visão bastante atmosférica e contemplativa daquele rock alternativo que é muitas vezes dominado por guitarras plenas de distorção, mas particularmente melódicas.
A nossa redação sustenta essa opinião tendo em conta Feelings Meeting, o mais recente single divulgado de Someday Is Today. É uma composição que impressiona pelo registo vocal ecoante, mas também pelo elevado grau de lisergia das guitarras, além de uma panóplia infinita de efeitos sintetizados, que dão vida a um clima bastante sentimental. É uma daquelas canções que parecia estar presa num qualquer transítor há várias décadas, mas que foi finalmente libertada com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, tendo ficado disponível algures numa solarenga praia, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, nos oferecem uma estadia de magia e delicadeza invulgares. Confere Feelings Meeting e a tracklist de Someday Is Today...
Hold Me In Your Mind
Lemons And Gin
Middle Name
Feelings Meeting
December Forever
Curve
Hump
Miss Miss Miss
Exploding Rain
No Body
Memory Express
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