White Lies – As I Try Not To Fall Apart

As I Try Not To Fall Apart, um disco gravado nos estúdios Assault & Battery, no oeste de Londres e produzido por Ed Buler, é o título do sexto e novo disco dos White Lies, de Charles Cave, Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown. Esse novo registo do trio chegou aos escaparates recentemente e a sua audição tem colocado justificadamente em polvorosa os fãs da banda relativamente ao seu conteúdo, já que é, possivelmente, o melhor trabalho da carreira da banda britânica.


WHITE LIES share 'Blue Drift' the latest track from their forthcoming sixth  album, As I Try Not To Fall Apart | XS Noize | Online Music Magazine


Abordando questões como a saúde mental, a alienação e o narcisismo, As I Try Not To Fall Apart coloca os White Lies a explorarem com notável grau de impressionismo a herança do melhor indie rock dos anos oitenta, que olhava com gula para aquela faceta pop que a eletrónica dos anos setenta gerou e que, abraçando as guitarras, na década seguinte se cimentou.


É notável e marcante a forma como este trio exala esse cariz retro, transversal a praticamente todo o alinhamento do disco, e consegue, ao mesmo tempo, dotá-lo de uma ímpar contemporaneidadade. Além da ímpar majestosidade do tema homónimo, ou da inconsolável nostalgia da ode aos Simple Minds a que sabe Breathe, canções como Am I Really Going To Die, uma composição que reflete sobre o modo como uma pessoa supostamente importante e influente lida com um diagnóstico terminal, ou I Don't Want To Go To Mars, tema que disserta sobre uma personagem imaginária que tem de passar a viver num outro planeta e, em paralelo, reflete a vertigem atual que existe na comunidade científica sobre a exploração das possibilidades de habitar outros planetas e como isso se pode refletir no bem estar da humanidade, são canções que sonoramente apostam nesse elevado equilibrio entre os sintetizadores e teclados com timbres variados e o pulsar das guitarras, sempre em busca de uma toada que não olhe apenas para o óbvio comercial mais radiofónico, mas também para uma acolhedora face mais sombria e nostálgica. Depois, um registo percurssivo sempre bem marcado, quer pelo baixo, quer pela bateria, é mais uma nuance fundamental neste cimentar de uma filosofia sonora interpretativa que não encontra paralelo qualitativo no panorama indie britânico atual.


As I Try To Fall Apart é capaz de arrebatar um estádio inteiro ou o coração mais escondido, lá no canto mais aconchegante do teu quarto. O disco está encharcado com melodias simples mas aditivas, enriquecidas com vozes vigorosas cantadas com o habitual registo grave mas luminoso e que dá vida a letras que muitas vezes se socorrem da mesma métrica nas diferentes músicas.  As suas dez canções, amplamente influenciadas por uma sonoridade transversal a várias décadas, mas repletas de modernidade, criam as suas próprias personagens enquanto trabalham para resgatar, com sucesso, algo de novo no post punk. Espero que aprecies a sugestão...


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