Destroyer - Labyrinthitis

Dois anos depois de Have We Met, os canadianos Destroyer de Dan Bejar, já têm na montra o, imagine-se, décimo quarto registo discográfico do projeto, um álbum intitulado Labyrinthitis que viu a luz do dia a vinte e cinco de março, com a chancela da Merge Records.


Destroyer: Labyrinthitis review – wayward, dance-infused weirdness | Pop  and rock | The Guardian


Labyrinthitis, é, certamente, obra de um esforço coletivo, mas deve muito do seu conteúdo, à mente de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva. E, de facto, Labyrinthitis, uma obra muito orgânica, repleta de contrastes, nuances e amálgamas exemplarmente tricotadas e agregadas e que versa sobre assuntos tão díspares como o romance ou o terror, mas também a arte, tem esta filosofia engimática e intrincada, tão do agrado do autor canadiano.


O alinhamento do disco, no seu todo, assenta, essencialmente, em camadas desordenadas de sons sintéticos e orgânicos, um piano e uma bateria em constante desfasamento e o habitual registo vocal peculiar do músico, mais intrigante e sinistro que nunca. A partir daí, na ímpar interioridade reflexiva a que nos instiga It's In Your Heart Now, na parada cósmica a que tresanda June, no delicioso romantismo vintage de All My Pretty Dresses, no festim eletro de Tintoretto, It's For You, no charme pop de Eat The Wine, Drink The Bread, ou na serena ambiguidade do tema homónimo, confrontamo-nos com um compêndio bastante burilado e tremendamente bem conseguido, abrigado num clima eminentemente sofisticado, claramente clássico e moderno.


Labytinthitis é intenso e joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva. É um verdadeiro oásis de pop sofisticada em que Bejar eleva a sua escrita críptica e crítica a uma intensidade e requinte nunca antes vistos, rodeado por um grupo de músicos que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. Espero que aprecies a sugestão...


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