Gang Of Youths – Angel In Realtime.

Os Gang Of Youths são uma banda australiana formada por David Le'aupepe (vozes e guitarra), Max Dunn (baixo), Jung Kim (guitarra, teclados), Donnie Borzestowski (bateria) e Tom Hobden (violinos, teclados e guitarra). Kim é descendente de um casal coreano e norte-americana, Dunn é da Nova Zelândia, Borzestowski é descendente de um casal polaco e australiano, Hobden é de terras de Sua Majestade e o pai de Le'aupepe era natural da Samoa e a mãe uma austríaca com raízes judaícas. Sedeados em Sidney, estrearam-se nos discos em dois mil e quinze com o registo The Positions, que teve, à época, excelente aceitação da crítica.


Gang Of Youths – 'Angel In Realtime.' review: A towering account of love  and loss


No ano transato os Gang Of Youths estiveram particularmente ativos. Lançaram em julho o EP Serene e em outubro revelaram uma canção intitulada The Man Himself. Depois, no mês seguinte, confirmaram ter um novo álbum chamado Angel In Realtime, que viu a luz do dia em fevereiro e que encontra a sua grande inspiração na morte recente do pai de David Le'aupepe, um nativo da Samoa, como já referi, e que emigrou para a Austrália, tendo passado antes pela Nova Zelândia.


De facto, Angel In Realtime é, claramente, um daqueles discos de celebração de uma memória, mas também de exorcização espiritual de tudo aquilo que de significativo e redentor ficou marcado na personalidade de quem incubou o registo. Percebe-se, ao longo do álbum, a força das marcas, das lições, das vivências e dos ensinamentos que o progenitor de David lhe deixou, sendo tudo isso um legado que o músico pretende perpetuar neste sumptuoso alinhamento de treze canções.


O receituário sonoro para atingir esse desiderato abarca a esmagadora maioria dos cânones identitários do mais vibrante indie rock, feito com guitarras encharcadas em charme e vigor, um registo percussivo sempre ritmicamente efusivo, um baixo que dá às canções o corpo e o balanço que elas precisam para exalar o conteúdo filosófico e lírico que as sustenta e teclados sempre prontos a ofereceram ao andamento melódico arranjos, detalhes e sons que ajudam os temas a ficarem ainda mais ricos e vibrantes. No fundo, é possível fazer um paralelismo entre aquilo que é o universo sonoro do disco e o modo como o mesmo honra, na sua complexidade, a herança de alguém que teve uma vida atribulada, rica e plena de experiências. Se o grande objetivo de L'aupepe foi encarnar em Angel In Realtime. aquilo que foi o seu progenitor, a vida que teve e o legado que deixou, a missão foi exemplarmente cumprida. Os samples que se escutam do hino das ilhas Cook em the man himself, a grandiosidade do piano em Brothers, ou o revigorante travo pop de tend the garden, demonstram-no claramente. Espero que aprecies a sugestão...


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