Cerca de meia década após o excelente registo Why Are You Ok, os norte-americanos Band Of Horses estão finamente de regresso com um novo álbum. Esse novo alinhamento de dez canções da banda liderada por Ben Bridwell chama-se Things Are Great e viu a luz do dia à boleia da BMG.

Foi o próprio Bridwell quem produziu todos os temas de Things Are Great, contando, para isso, com a preciosa ajuda dos amigos e habituais colaboradores Dave Fridmann, Jason Lytle e Dave Sardy, assim como do engenheiro de som Wolfgang “Wolfie” Zimmerman. E, como seria de esperar, o novo compêndio da banda natural de Seattle é um delicioso tratado sonoro, materializado num alinhamento de dez canções efusivo e grandioso, que mescla folk e indie rock com notável mestria e superior bom gosto, encarnando uma áurea de autenticidade ímpar, relativamente aquele que é o adn habitual do projeto, cada vez mais refinado e criativamente rico o ecossistema social de onde provém.
De facto, a audição deste registo é um verdadeiro deleite para os apreciadores daquele peculiar e inimitável rock clássico e tipicamente norte-americano. Things Are Great proporciona-nos pouco mais de quarenta minutos empolgantes e ricos em diversidade, criatividade e cor, assente num receituário interpretativo que valoriza particularmente a luminosidade melódica, a riqueza dos arranjos e a opção pelas cordas, acústicas e eletrificadas, como pilares máximos da arquitetura de canções que versam sobre as agruras típicas de uma América que procura cada vez mais perceber qual é o seu verdadeiramente posicionamento no mundo atual, enquanto lambe as suas próprias feridas interiores, mas que também olham para as relações pessoais e para o amor, com especial gula e profundidade.
Em suma, Things Are Great é um disco intenso e pintado por uma paleta de cores de variada e agradável contemplação. Nele está plasmada, por parte dos Band Of Horses, uma das bandas fundamentais da história daquela América mais pura contemporânea, uma maior abertura e luminosidade em termos de arranjos, não sendo, na verdade, um disco tão hermético como outros lançamentos anteriores do projeto, mas abrangendo um cardápio muito alargado de influências. Acaba por até ser um álbum que faz uma espécie de súmula de tudo aquilo que os Band Of Horses apresentaram até agora e, como seria de esperar, uma agregação que não deixa de ter em algumas canções, poeticamente profundas e ricas, uma faceta algo misteriosa e cheia de referências literárias que merecem aturado trabalho de análise e contemplação. Espero que aprecies a sugestão...
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