The Reds, Pinks And Purples – Summer At Land’s End

Sedeado em São Francisco, na Califórnia, o projeto The Reds, Pinks And Purples é um nome a ter em conta no cenário indie de cariz mais lo fi e experimental norte-americano, que acaba de regressar aos discos neste ano de dois mil e vinte dois, o quarto de uma carreira que se iniciou em dois mil e dezanove com o registo Anxiety Art e que vale bem a pena explorar.


The Reds, Pinks & Purples Lift Spirits On Sweet New Single "Pour The Light  In" - NBHAP


O novo álbum da banda, que é, basicamente, um projeto a solo de Glenn Donaldson, chama-se Summer At Land's End, tem onze canções e viu a luz do dia com a chancela da insuspeita Slumberland Records. A sua audição é uma solarenga odisseia pelas águas serenas de uma indie pop que fascina no modo como faz sorrir sem razão aparente, tendo como justificação única para isso, o seu travo intenso e agradável.


Logo a abrir o registo, a cascata de guitarras que acamam o registo vocal ecoante de Glenn em Don’t Come Home Too Soon, agarram-nos pelos colarinhos, de modo intenso, aconchegante e quente. É uma canção que realmente nos apresenta, com elevado grau de exatidão, o traço conceptual de um registo que, tal como o proprio nome indica, é excelente para nos fazer ansiar por um verão ainda algo distante, mas que todos desejamos que chegue, mas no tempo certo. O modo como as próprias canções se espraiam, uma a seguir à outra, têm mesmo esse condão de nos fazer relaxar e perceber que tudo tem o seu tempo devido, seja uma estação do ano, mas também uma emoção ou um sentimento. Alias, Let’s Pretend We’re Not In Love tem mesmo esse peso sedutor, esse travo a magia e êxtase, no modo como retrata a beleza da atração inicial entre duas pessoas que não conseguem resistir, por mais que tentem, aquilo que já as liga.


Summer At Land's End prossegue, mantendo-se sempre nos carris, canção após canção, ao longo de pouco mais de trinta e seis minutos verdadiramente mágicos. O registo vocal pleno de sentimento, mas também de mistério, além de arranjos acústicos luminosos e guitarras ecoantes e com o grau de distorção apropriado e Pour The Light In, o charme dos arranjos que dão cor a New Light, o brilho das cordas que ondulam em My Soul Unburdened, a pitada noventista que exala de All Night We Move e o registo rítmico vigoroso e a eletrificação ecoante da guitarra, com o grau de distorção apropriado, nomeadamente no solo, em Tell Me What Is Real, comprovam, de facto, que sendo este um trabalho que carrega consigo claras reminiscências do melhor indie de finais do século passado, deve a sua essência a um músico claramente consciente dos terrenos sonoros que pisa, que tanto têm essa veia nostálgica, mas também uma faceta muito contemporânea e que merece uma elevada posição crítica, tendo em conta as propostas mais recentes que vão chegando do universo da chamada indie pop. Espero que aprecies a sugestão...


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