Big Red Machine – How Long Do You Think It’s Gonna Last?

Os mais atentos relativamente ao histórico recente do universo sonoro indie e alternativo recordam-se, certamente, da coletânea de beneficiência Dark Was The Night, lançada em dois mil e nove e cujos fundos revertiam a favor a Red Hot Organization, uma organização internacional dedicada à angariação de receitas e consciencialização para vírus HIV. Do alinhamento dessa coletânea fazia parte uma canção intitulada Big Red Machine, da autoria de Justin Vernon aka Bon Iver e Aaron Dessner, distinto membro dos The National, dois artistas que juntos também já desenvolveram a plataforma PEOPLE, que reúne composições inéditas de mais de oitenta artistas, organizaram festivais (Eaux Claires) e acabaram por incubar um projeto sonoro intitulado exatamente Big Red Machine, que se estreou nos discos com um extraordinário homónimo, em dois mil e dezoito, abrigado pela já referida PEOPLE.


Big Red Machine - How Long Do You Think It's Gonna Last? | por Bárbarah  Alves | You! Me! Dancing!


Três anos após essa estreia, a dupla está de regresso com um novo álbum intitulado How Long Do You Think It’s Gonna Last?, que chegou aos escaparates recentemente. São quinze charmosas canções, repletas de convidados especiais, que entregam de mão beijada o melhor do seu adn a construções sonoras geralmente intrincadas, mas acessíveis e repletas de uma vasta míriade de detalhes e efeitos plenos de criatividade, uns de proveniência orgânica, geralmente debitados por cordas e pelo piano,  mas também sintética, já que não falta um assinalável arsenal de sintetizadores no catálogo instrumental do registo.


Canções como Phoenix, um tema conduzido por um majestoso piano e que conta com as participações especiais dos Fleet Foxes e da cantora Anäis Mitchell, Mimi, uma composição luminosa e que conta com a participação especial vocal de Ilsey Juber, uma compositora que se notabilizou nos últimos anos por aparecer nos créditos de criações sonoras assinadas por nomes tão proeminentes como Miley Cyrus, Dua Lipa, Beyoncé ou Lykke Li e Renegade, canção que conta com a participação especial de Taylor Swift e que assenta numa espécie de experimentalismo claustrofóbico, que impressiona pelo modo como o registo vocal de Swift trespassa um inspirado riff acústico acamado por uma arquitetura sonora quente e fortemente cinematográfica e imersiva, que suscita no ouvinte uma forte sensação de proximidade e empatia, são notáveis momentos sonoros, impregnados com a melhor intersecção que é possivel econtrar hoje entre folk e eletrónica no cenário indie. Depois, numa vertente mais sintética, The Ghost Of Cincinnati e Latter Days (feat. Anaïs Mitchell), que sobrevivem muito à custa de um cuidado arsenal instrumental, eminentemente eletrónico, mesmo abrindo ao ouvinte portas para climas mais intimistas, nunca colocam em causa o perfil solarengo e sorridente de um disco que, no fundo, assenta a sua filosofia no modo feliz como Dessner e Vernon deram, no procedimento criativo, primazia às cordas acústicas, elemento instrumental de eleição de ambos e núcleo central do processo de condução sonora e melódica de uma álbum esteticamente muito apelativo e sedutor e tremendamente encharcado em charme e elegância.


Engane-se quem achar que a escuta de How Long Do You Think It’s Gonna Last? não obrigará a um exercício exigente de percepção para que todos os seus cantos e esquinas sejam devidamente retratados na nossa mente. Mas, se tal demanda for feita de modo dedicado, podem estar certos que que tal exercício será, de certeza, fortemente revelador e claramente recompensador, até porque tudo o que é melodicamente belo e exemplarmente interpretado no registo, é ampliado pelo claro charme e misticismo que estes dois músicos transportam sempre que se juntam para compôr, algo que trespassa muitas vezes o cenário do que é apenas audível. Espero que aprecies a sugestão...


Comentários