Quatro anos depois do extraordinário registo de estreia The Dream, que fez parte da nossa lista dos melhores álbuns de dois mil e dezassete num honroso décimo quinto lugar, os Tashaki Miyaki de Paige Stark, Luke Paquin e Sandi Denton, estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e um com Castaway, o segundo álbum da banda, um alinhamento de onze canções que viu a luz do dia a dois de julho último e disponível no bandcamp do grupo.

Castaway é a materialização inspirada e feliz de um regresso que se saúda com enorme entusiasmo nesta redação, porque estamos a falar de uma banda que volta a navegar, em onze lindíssimas canções, nas águas turvas e profundas daquela dream pop de forte pendor psicadélico. Aliás, logo na pueril cadência do tema homónimo somos embalados e incitados de um modo muito particular e lisérgico, com a luminosidade da guitarra que conduz Help Me ou a milimétrica lentidão de Gone a vincarem toda uma envolvância muito intíma, climática e tocada pela melancolia, que atinge o seu auge, na minha opinião, na charmosa Come Down, uma daquelas canções que se não se embranha no imediato em nós é porque existe algo de errado no nosso âmago no que concerne à capacidade de absorver emoção e fervor. I Feel Fine, também mostra um lado rock nos Tashaki Miyaki, que amplia a abrangência e a capacidade criativa ímpar do projeto, plasmada numa canção que serve-se de guitarras sobriamente eletrificadas e distorcidas para obter uma mistura sem fronteiras definidas, entre os grandes universos sonoros que são o blues e a folk, acrescentando a esta junção um registo vocal sublime, num resultado final tremendamente intimista e reservado, mas sem deixar de conter emoção e fervor.
Repleto de composições que comprovam o quanto este projeto oriundo de Los Angeles é incomparável e mestre na criação de uma atmosfera densa, mas particularmente sensual e hipnótica, Castaway passa com distinção no teste do sempre difícil segundo disco. É um compêndio sonoro que surpreende pelo bom gosto como apresenta de forma sombria e introspetiva, mas superiormente frágil e sedutora, a visão dos Tashaki Miyaki sobre alguns temas que sempre tocaram a dupla, mas, principalmente, pela forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem os escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...
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