Dois anos depois do belíssimo registo Slow Air, a dupla britânica Still Corners está de regresso, novamente à boleia da Wrecking Light, com The Last Exit, o quinto álbum da carreira deste projeto formado por Greg Hughes e Tessa Murray e que sedeado há já alguns anos nos Estados Unidos tem pautado a sua carreira por calcorrear um percurso sonoro balizado por uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis, mas também uma pop que pisca muitas vezes o olho aquele rock alternativo em que as guitarras eléctricas e acústicas marcam indubitavelmente uma forte presença.

A década e meia de carreira dos Still Corners, que teve o seu arranque num encontro fortuíto num autocarro, foi sempre em crescendo, com The Last Exit a marcar, com segurança, mais um patamar evolutivo contundente na habitual fórmula da banda e que já descrevi acima. Importa, portanto, no caso deste registo, destriçar o seu ponto marcante neste percurso e que centra-se no modo como os Still Corners colocaram na linha da frente do arquétipo sonoro das suas novas canções alguns dos tiques fundamentais da folk. Assim, a normalização do uso de elementos acústicos no arsenal instrumental e texturas cristalinas e sons da natureza, ao nível dos arranjos, são marcas indeléveis e preponderantes em The Last Exit, disco com elevado travo orgânico e onde os sintetizadores passaram ser meros adornos indutores de detalhes e tiques que, muitas vezes, servem apenas para preservar o adn do projeto.
The Last Exist, o tema homónimo, é feliz nesta nova moldura sonora da dupla, uma composição que apontando timidamente para ambientes dançantes e contendo um efeito sintetizado retro, impressiona principalmente na saudável rugosidade orgânica que o baixo e a guitarra eletrificada oferecem à canção, que tem em ponto de mira um indisfarçável ambiente de romantismo e sensualidade.
A partir daí, no travo poeirento de Crying, no clima retro pop luxuriante de White Sands, na luminosidade do classicismo folk de A Kiss Before Dying e de Static, na guitarrada à Dire Straits que conduz It's Voodoo, ou na abordagem mais elétrica, mas igualmente pastoril de Mystery Road, encontramos os grandes instantes de um álbum claramente primaveril e feliz, como estes tempos exigem e que sai airosamente do risco que contém e que se define numa nova proposta instrumental, conforme já foi descrita e que, propositadamente, ou não, vai de encontro ao movimento atual que resgata de forma renovada as principais marcas e particularidades sonoras de décadas anteriores, mas sem deixar de acrescentar e incuir a esse referencial retro toques de modernidade. Espero que aprecies a sugestão...
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