Dream People - Talking of Love

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai ver a luz do dia amanhã e que, de acordo com as expetativas plasmadas no press release de antecipação, mostrará um grupo mais maduro, mais confortável consigo mesmo. Um grupo que, acima de tudo, busca autenticidade e substância no seu trabalho. Uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renuncia pintá-la como ela é, quer cantar a realidade sem adornos, complexa, intrincada. É aí que reside a profundidade do seu trabalho.


Dream People have just released People Think, the first single from Almost  Young, the Lisbon band's new album. | FrontView Magazine


Depois da divulgação do single People Think é, agora, e enquanto a redação de Man On The Moon, não se debruça afincadamente no conteúdo de Almost Young, confere, como aperitivo, Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco e uma canção que, pelos vistos, e de acordo com o grupo, transparece o conceito chave do novo disco: o conceito de perda da juventude.A canção funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito.


De facto, e continuando a parafrasear o press release de Talking Of Love, esta é uma canção multidimensional e caleidoscópica, tal como o seu vídeo. A música parte de um ambiente quase industrial, num ritmo semelhante ao de uma linha de montagem, mas vai progressivamente abrindo-se e transformando-se num indie pop dançável e recheado de camadas que se vão complementando entre si. O resultado é uma autêntica jornada, em que o tema principal é a liberdade.


Francisco Taveira fala do tema como sendo um castelo de metáforas que remete para uma espécie de revolução. Uma revolução pessoal e intima, da liberdade individual e do espírito, pela qual todos deveríamos passar. Por essa razão, ainda que recorrendo a símbolos, fala-se de temas “menos confortáveis”, como o sexo e a religião e descreve-se a necessidade de abandono de todos os espartilhos e limitações que nos impedem de chegar àquilo que verdadeiramente queremos ser, à nossa verdade. Confere...



 

Comentários

  1. Olá.
    Antes do mais apresento-me - Português, com uma língua, difícil mas bela - a portuguesa - de nome Zé Onofre.
    Não tenho nada contra as canções inglesas, há muitas inglesas que são para mim marcos de referência.
    Do que eu não gosto é ver Suecos, Franceses, Castelhanos, Gregos, Portugueses, a escreverem canções inglesas. O mundo de fala Inglesa não precisam que os outros se lhes verguem, pois têm poder económico e, por conseguinte dominação cultural que se está a transformar em colonização, neste caso linguístico.
    Por isso lamento que haja portugueses que desprezem a sua língua.
    Peço desculpa pelo desabafo, mas sou como o Astérix, um irredutível "português".
    Zé Onofre

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  2. Então mas quem não gosta tem uma opção...

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  3. Quem gosta de canções em inglês tem a opção de ouvir NeoZelandeses, Australianos, Estado-Unidenses, Canadianos, Irlandeses, Ingleses e muitos outros.
    E não é uma questão de gostar ou não gostar das canções que Silence Four, Ou os Dream People, e aqueles que ganharam o festival da RTP, até porque não conheço qualquer canção deles. A minha tristeza é ver Portugueses a desprezarem as suas raízes culturais de que a Língua é principal. Só isto.
    Zé Onofre

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  4. Quem gosta de canções em inglês tem, felizmente, a possibilidade de ouvir bandas e artistas de todo o mundo a compor e a cantar nessa língua, como em tantas outras. Não concordo que possa ser feita uma relação de causalidade direta entre a opção de cantar em inglês, por parte de uma banda ou artista português e que isso seja sinónimo de um hipotético desprezo pela nossa cultura. Considero até abusivo e desrespeitoso, se me permite, que tal nexo de causalidade seja tido como factual. Não considero que no caso da música, como forma de manifestação artística muito particular, a língua em que assentam as letras cantadas e musicadas, seja indispensável para definir ou contabilizar o apreço ou o desprezo que uma banda ou artista possa ter pela cultura do país de onde é natural, seja ele qual for. Obrigado pela visita a Man On The Moon. Registo-a com apreço.

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  5. Se não são os falantes de Língua Portuguesa a defendê-la quem o fará?
    Concordo que a música, seja ela de que natureza for, desperta emoções independentemente de onde é originária. Gosto muito das Sinfonias de Beethowen.
    Mas a letra é língua e ainda, felizmente, não há uma Língua Universal. Certamente um dia acordarei e o Inglês será a língua oficial de Portugal. Infelizmente até o nosso Governo se tem rendido ao colonialismo Anglo-Saxão-Estado Unidense.
    Zé Onofre

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