Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai realmente ao encontro das expetativas plasmadas no press release de antecipação, porque nos oferece uns Dream People mais maduros e confortáveis na busca de autenticidade e substância no seu trabalho.

De facto, estes Dream People são mesmo uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renunciam pintá-la como ela é, cantando-a sem adornos, complexa e intrincada. É aí que reside a profundidade deste Almost Young, um alinhamento onde leveza e amor coabitam com a dor, a perda e a solidão, muitas vezes dentro do invólucro de uma só canção.
Assim, se Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco aborda o conceito de perda da juventude e funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito, já People Think é mais optimista e até eufórica. Com uma vibe claramente oitocentista, contém uma letra confrontativa, em que se aponta o dedo a quem, com o decorrer da vida, se deixa tornar obsoleto e com a idade adulta cai numa rotina entorpecente e perde a sua própria essência, esquecendo-se da juventude. Aliás, esta ideia de abandono e de perda da juventude, é transversal a todo disco. Ela espelha receios e angústias dos cinco membros da banda: o receio da mudança de pele, da transformação. O receio de sair do ninho e aterrar no mundo real. A enorme angústia de se ser quase jovem mas não se poder voltar a sê-lo, porque esse tempo simplesmente não volta.
Almost Young é um disco sobre o fim de uma era. E é também, mais uma vez, um disco feliz e triste, que mesmo nos momentos altos esconde uma camada negra de melancolia e dor, só acessíveis ao ouvido mais atento. Espero que aprecies a sugestão...
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