Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Ship, um EP que acaba de ver a luz do dia à boleia da Morr Music, etiqueta alemã, sendo o primeiro sinal de vida do projeto em seis anos. Recordo que em dois mil e catorze este grupo alemão incrível lançou o disco Close to The Glass, um tomo de onze canções assentes numa eletrónica cheia de elementos do krautrock, mas que também passava pelo hip hop mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, um verdadeiro caldeirão sonoro onde cada elemento foi cuidadosamente tratado e que estava minuciosamente carregado de vida.

Já com um novo longa duração prometido ainda este ano, os The Notwist afagam-nos, para já, um pouco a alma e acalmam as expetativas desse longa duração, com três excelentes novos temas em que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral dos cerca de doze minutos do EP, tudo soa muito polido, notando-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e bem conseguido.
Abrindo, como seria de esperar, com o single homónimo do registo, uma canção que conta com a participação vocal da japonesa Saya, vocalista da banda Tenniscoats e que impressiona pelo rigor percurssivo, percebe-se, logo à partida, que Ship EP será um registo tremendamente hipnótico. Nesta canção, a batida seca que lateja sem cessar, enquanto é constantemente rodeada por uma espiral sintetizada repetitiva e diversas aparições de uma guitarra que se insinua sempre à espreita do momento ideal para explodir em riffs e distorções incontroláveis, são nuances típicas de um grupo exímio a tricotar, sem receio do risco, os alicerces fundamentais de um rock que se entrega a toda o universo sonoro alternativo, sem se alimentar apenas da clássica tríade guitarra, baixo e bateria.
Depois, a incomensurável diversidade sónica que, entre luminosas cordas, efeitos cósmicos, uma bateria embaladora e guitarras metálicas, dá sentido e cor ao sublime experimentalismo de Loose Ends e, para rematar, o forte pendor espiritual e reflexivo do instrumental Avalanche, são mais duas canções que carimbam, de modo indelével, a sagacidade e a sensação catártica de um alinhamento curto mas impressivo, criado por uns The Notwist hábeis a convidar-nos a uma real libertação de sentimentos ou emoções reprimidas, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...
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