The Strokes – The New Abnormal

Já chegou aos escaparates The New Abnormal o tão anunciado sucessor de Comedown Machine, um álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This ItThe New Abnormal é o sexto disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental no universo musical indie punk rock e tem um alinhamento de nove canções, produzido por Rick Rubin e com a chancela da Cult Records.


Por que “The New Abnormal” foi a volta do The Strokes que conhecíamos?


The New Abnormal solidifica e tipifica com ainda maior clareza a filosofia interpretativa deste projeto nova iorquino que depois de ter começado a carreira com um formato sonoro claramente balizado, foi apalpando terreno noutros espetros, atingindo o auge dessas derivas no festim sintético que banhou Angles há já quase uma década. A partir daí, nomeadamente em Comedown Machine, este projeto que é dos melhores do mundo a trabalhar em estúdio, voltou a fazer marcha atrás, algo que se saúda porque os The Strokes estão, sem dúvida, mais confortáveis a explorar os recantos obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora, o baixo, a guitarra e a bateria.


The New Abnormal tem, então, esta espécie de dupla identidade, porque além de culminar com elevado esplendor um regresso ao punk rock como trave mestra da maioria das composições do disco, aquele rock mais enérgico, direto e incisivo a que nos habituámos no dealbar deste século e que nomes tão influentes com os Franz Ferdinand, Radio 4, LCD Soundsystem ou The Rapture repicaram com astúcia, permite que este modus operandi seja adornado por uma mescla entre a típica eletrónica underground nova iorquina e o colorido neon pop dos anos oitenta. Brooklyn Bridge To Chorus, uma composição que carrega no seu dorso melódico e instrumental a melhor herança do glam rock oitocentista, espelhado num sintetizador retro bastante incisivo, nostágico e que casa bem com a voz de Casablancas, que, já agora, em todo o disco volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo, é, talvez, o melhor exemplo do álbum desta duplicidade. No entanto, Bad Decisions, um exuberante tratado de indie rock, festivo, luminoso e dançante, mais consentâneo com a herança do grupo, já que assenta no famoso efeito metálico metálico das guitarras, que é uma imagem de marca inconfundível dos The Strokes, a faustosa ode aquele experimentalismo psicadélico luminoso que conduz Why Are Sundays So Depressing e, em Selfless, o irresistível swing da guitarra que no refrão se torna particularmente buliçoso ao resvalar para um riff épico e de maior exaltação, são também instantes cativantes, joviais e harmonicamente exemplares do alinhamento e que carimbam com maturidade, força e honestidade esta revisão e enriquecimento de todo um percurso de duas décadas. Já a batida sintética abrasiva e o baixo imponente que desfilam pela insinuante The Adults Are Talking, assim como At The Door, uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro, são a outra face mais visível desta moeda chamada The New Abnormal, repleta de sons, tiques e detalhes disponíveis para a descoberta em audições sucessivas, um álbum que ensina que nunca é tarde para recomeçar e que os anos podem passar por uma banda, mas o seu espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo. É esta, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados The Strokes como entidade. Espero que aprecies a sugestão...


The Strokes - The New Abnormal


01. The Adults Are Talking
02. Selfless
03. Brooklyn Bridge To Chorus
04. Bad Decisions
05. Eternal Summer
06. At The Door
07. Why Are Sundays So Depressing
08. Not The Same Anymore
09. Ode To The Mets


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